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Descubra como a NASA e a SpaceX estão próximas de comprovar vida extraterrestre em novo guia definitivo.

Estamos mesmo sozinhos no universo? Essa pergunta, que já foi tema de ficção científica, hoje move uma das maiores investigações da ciência. Astrônomos e biólogos estão mais perto do que nunca de encontrar uma resposta. Eles não estão apenas olhando para o céu. Seguem um roteiro rigoroso, com tecnologia de ponta, para não cometer erros do passado.

A busca acontece em três frentes principais. Cada uma oferece pistas diferentes e exige métodos próprios de análise. De mundos distantes a nosso quintal cósmico, a caça está aberta. O grande desafio é distinguir um sinal de vida de um fenômeno puramente químico.

A comunidade científica aprendeu a ser cautelosa. Casos famosos, como um meteorito marciano nos anos 90, geraram expectativas que depois caíram por terra. Agora, o processo é meticuloso. A confirmação precisa passar por vários filtros antes de ser anunciada ao mundo.

### A pista química em planetas distantes

Imagine analisar a luz do sol que atravessa a atmosfera de um planeta a anos-luz daqui. É assim que o telescópio James Webb estuda exoplanetas. O alvo é identificar gases que, na Terra, são produzidos por seres vivos. Essa “impressão digital” química é a primeira pista.

Um mundo chamado K2-18b é o centro das atenções. Em 2023, cientistas detectaram nele um gás chamado dimetil sulfeto. Na Terra, essa substância vem quase exclusivamente do fitoplâncton nos oceanos. A descoberta causou grande agitação, mas ainda é cedo para comemorações.

Os dados são preliminares e frágeis. Outros pesquisadores pedem cautela, pois processos geológicos também podem gerar compostos similares. A prova definitiva exigirá encontrar um conjunto de gases juntos. Somente uma combinação muito improvável na natureza convencerá a comunidade científica.

### Oceanos escondidos em luas geladas

Mais perto de nós, luas de Júpiter e Saturno escondem oceanos sob grossas camadas de gelo. Europa e Encélado têm mares de água líquida, aquecidos por forças gravitacionais. A grande vantagem aqui é a possibilidade de analisar amostras diretamente.

Encélado, por exemplo, expele jatos de água do seu oceano para o espaço. A missão Cassini já voou por essas plumas e encontrou moléculas orgânicas complexas. Eram estruturas com nitrogênio e oxigênio, parecidas com substâncias da decomposição de vida na Terra.

Mas a armadilha é a mesma: química não-viva também cria moléculas orgânicas. A futura missão Europa Clipper buscará um sinal mais revelador: o desequilíbrio quiral. Na Terra, a vida prefere aminoácidos “canhotos”. Encontrar essa preferência numa lua distante seria quase uma prova definitiva.

### Vestígios fossilizados em Marte

Marte é nosso vizinho mais estudado. Sabemos que no passado ele teve rios e lagos. A busca agora é por fósseis de vida microbiana antiga, preservados nas rochas. O rover Perseverance já coletou amostras promissoras na Cratera Jezero.

Essas rochas aguardam uma missão de retorno à Terra, prevista para a década de 2030. Em laboratórios avançados, cientistas procurarão por lipídios policíclicos. Essas moléculas gordurosas são excelentes biomarcadores, pois persistem por eras geológicas.

A missão europeia Rosalind Franklin dará um passo crucial a partir de 2028. Seu rover perfurará dois metros abaixo da superfície, onde moléculas estariam protegidas da radiação. Analisar a quiralidade de aminoácidos no local será fundamental para fortalecer qualquer evidência.

### A escala que mede a confiança

Para evitar falsos anúncios, a NASA criou uma escala de sete níveis chamada CoLD. Ela serve como um guia metódico. A jornada começa com a detecção de um sinal promissor. O passo seguinte é descartar contaminação terrestre, um desafio enorme.

Depois, é preciso provar que o sinal vem de um ambiente habitável. O quarto nível é o mais difícil: demonstrar que o fenômeno não pode ser explicado por processos não-vivos conhecidos. A natureza é criativa em imitar assinaturas biológicas.

Os níveis finais exigem múltiplas linhas de evidência independentes. É necessário descartar hipóteses alternativas e ter confirmação por um segundo instrumento. Até hoje, nenhuma evidência coletada passou do terceiro degrau. O padrão de prova é extremamente alto.

### O que uma descoberta mudaria

Encontrar vida além da Terra redefiniria nosso lugar no cosmos. Se for em um exoplaneta, significaria que a vida é um fenômeno comum no universo. A biologia deixaria de ser um acidente terrestre para se tornar uma consequência possível da química em mundos adequados.

Descobrir micróbios em Europa ou Encélado seria ainda mais profundo. Provaria uma segunda gênese da vida, independente da nossa, dentro do próprio Sistema Solar. A noção de “ambiente habitável” se expandiria para incluir oceanos sob gelo, sem luz solar direta.

Fósseis em Marte nos diriam que a vida floresceu em dois mundos vizinhos. Levantaria a questão de uma origem comum ou de dois começos separados. De qualquer forma, a biologia se tornaria uma ciência comparativa, estudando diferentes manifestações da vida no universo.

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