A sessão da CPMI do INSS desta quinta-feira foi tudo, menos tranquila. Enquanto os parlamentares discutiam a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o clima esquentou. A discussão rápida saiu do controle e terminou em confusão generalizada no plenário. O bate-boca evoluiu para um empurra-empurra que paralisou os trabalhos.
No meio do tumulto, até soco foi dado. O deputado Rogério Correa admitiu ter acertado o colega Luiz Lima, mas logo em seguida pediu desculpas pelo ato. Outros nomes, como o relator Alfredo Gaspar e o deputado Evair de Melo, também se envolveram na briga. A cena forçou uma pausa nos trabalhos, que só voltaram ao normal depois de alguns minutos tensos.
Apesar do barulho, a votação principal seguiu adiante. O pedido para quebrar o sigilo bancário e fiscal do filho do presidente Lula foi aprovado. A decisão, porém, não foi aceita de forma pacífica pela base governista, que contestou o resultado logo em seguida. O episódio deixou claro que as investigações sobre supostas irregularidades no INSS estão longe de um consenso.
A polêmica votação e o pedido de anulação
A forma como os votos foram contados virou outro ponto de discórdia. A votação foi simbólica, um método onde os parlamentares mostram sua posição se levantando ou permanecendo sentados. O presidente da comissão, senador Carlos Viana, contou sete votos contrários à rejeição do pedido e declarou a medida aprovada. Ele afirmou que a contagem foi feita duas vezes para evitar erro.
Insatisfeitos, deputados da base do governo pediram a anulação total daquela votação. O deputado Paulo Pimenta liderou o grupo, alegando que houve um erro no processo e até uma possível fraude. O argumento principal é que Lulinha não é formalmente investigado em nenhum processo, o que tornaria a medida desproporcional. O pedido, no entanto, foi rejeitado pelo presidente da CPMI.
A oposição não se deu por vencida e decidiu escalonar a questão. Os parlamentares foram até o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, para fazer um pedido formal de anulação. A manobra mostra que a disputa política em torno das investigações deve continuar, agora em outras instâncias do poder. O resultado final ainda é uma incógnita.
Outras decisões e o contexto das investigações
A comissão não parou na quebra de sigilo de Lulinha. Na mesma sessão conturbada, os parlamentares aprovaram outras medidas importantes para as investigações. Eles decidiram convocar Gustavo Gaspar, que foi assessor do senador Weverton Rocha. A ideia é ouvir seu depoimento para esclarecer pontos ainda obscuros no inquérito.
Outra convocação aprovada foi a de Augusto Ferreira Lima, ex-presidente do Banco Master. A instituição financeira também está no centro das atenções da CPI e terá seu sigilo bancário e fiscal quebrado. As decisões mostram que a investigação está ampliando seu alcance, buscando conexões entre pessoas e instituições que podem ter participado de esquemas.
O nome de Fábio Luís Lula da Silva entrou nessa história por meio de mensagens apreendidas pela Polícia Federal. Elas foram trocadas entre Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e a empresária Roberta Luchsinger, que é amiga de Lulinha. O relator Alfredo Gaspar suspeita que o filho do presidente possa ter atuado como um sócio oculto de Antônio Camilo.
A empresária Roberta Luchsinger já veio a público negar qualquer irregularidade nas conversas. Enquanto isso, as investigações seguem seu curso, tentando separar o que é fato do que é especulação. A CPMI do INSS promete continuar apurando todas as pistas, mas os caminhos são tão complexos quanto os bastidores políticos que vimos nesta quinta-feira.
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