Aconteceu um episódio que chocou o mundo do teatro brasileiro há alguns anos, e o desfecho judicial só saiu agora. Durante uma apresentação do musical “Xanadu”, no Rio de Janeiro, um acidente grave fez dois atores caírem do alto do palco. A história envolve efeitos especiais que deram errado, lesões sérias e uma longa espera por reparação.
A apresentação era no tradicional Teatro Casa Grande, no Leblon. O espetáculo, dirigido por Miguel Falabella, tinha cenas aéreas emocionantes. Os atores sobrevoavam a plateia presos por cabos de aço, criando uma ilusão de magia. Era um momento esperado pelo público em todas as noites.
Porém, em um dia fatídico de 2012, a magia se transformou em susto. Um dos cabos de sustentação simplesmente se rompeu durante a cena. Danielle Winits e Thiago Fragoso, que estavam suspensos, caíram de uma altura de cerca de cinco metros. O impacto contra o chão foi inevitável e violento.
As consequências do acidente
Os ferimentos foram imediatos e preocupantes. Danielle Winits sofreu um corte profundo na boca devido à queda. Já Thiago Fragoso teve o quadro mais severo, com fraturas em cinco costelas. A dor e a recuperação foram apenas o começo dos problemas.
O acidente obrigou Fragoso a se afastar completamente da produção. Sua recuperação demandou tempo e repouso, impossibilitando a continuação no musical. Para não parar a temporada, a produção precisou correr atrás de um substituto às pressas.
O ator Danilo Timm assumiu o papel, tentando manter a fluidez do espetáculo. Enquanto isso, os artistas acidentados iniciavam não só a recuperação física, mas também uma batalha judicial. Eles buscavam responsabilização pelo que não foi um simples infortúnio, mas uma falha técnica.
A decisão da Justiça
A culpa, segundo a Justiça, foi da empresa responsável pelos efeitos. A Set Cavalheiros Efeitos Cinematográficos era a encarregada de toda a parte técnica dos voos cênicos. Cabia a ela a manutenção e a segurança dos equipamentos que sustentavam os artistas.
A 2ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio considerou a empresa culpada por danos morais. A sentença condenou a empresa a pagar uma indenização de R$ 20 mil especificamente para Danielle Winits. O valor refere-se ao sofrimento e aos transtornos causados pelo episódio.
É importante notar que a decisão ainda pode ser recorrida. O processo judicial costuma ser um caminho demorado, e este caso não foi diferente. A demora entre o acidente e a sentença mostra como essas questões se arrastam nos tribunais.
Reflexões sobre segurança no palco
O caso levanta uma discussão crucial sobre segurança em espetáculos. Cenas com alto risco, como voos e acrobacias, dependem de protocolos rígidos. A falha em um único cabo expôs uma fragilidade que poderia ter sido evitada.
Para o público, é a ilusão perfeita que importa. Para os profissionais nos bastidores, a prioridade absoluta deve ser a integridade física do elenco. A tecnologia permite efeitos incríveis, mas a manutenção preventiva e a inspeção constante são não negociáveis.
Acidentes assim deixam marcas que vão além das físicas. Eles trazem insegurança e medo, sentimentos que uma indenização pode compensar em parte, mas nunca apagar completamente. A história serve de alerta para toda a indústria do entretenimento.
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