Em 2013, fiz uma viagem que mudou minha forma de ver o mundo. Acompanhado de amigos, fui a Cuba realizar um sonho de juventude. Queríamos entender de perto a história da revolução que marcou o século passado.
Foram quinze dias cruzando a ilha de carro, de Havana até Santiago. Cada cidade contava uma parte diferente da mesma história. A sensação era de estar em um lugar onde o tempo tinha um ritmo próprio, bem diferente do nosso.
A paisagem era um choque de realidade, mas também de beleza única. As ruas e as pessoas carregavam marcas profundas, mas seguiam em frente com uma força impressionante. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui.
Havana e o peso da história
Andar por Havana é como visitar um museu vivo. Os prédios coloniais com fachadas descascadas e carros antigos nas ruas criam uma cena surreal. O famoso Malecón, a orla da cidade, mostra o desgaste do sal do mar e da história.
O asfalto esburacado e a pintura que descascava não eram apenas falta de manutenção. Eram a materialização concreta do bloqueio econômico imposto ao país. A geopolítica saía dos livros e aparecia no reboco que caía das paredes.
A vida, no entanto, fervilhava com uma energia própria. As pessoas conversavam nas portas, crianças brincavam nas praças. A cidade respirava uma resistência cotidiana, uma teimosia em seguir em frente apesar de tudo.
O interior e as pessoas reais
Ao sair da capital, a estrada revelava um Cuba verde e agrícola. A viagem até Trinidad era um convite à reflexão. No caminho, paramos para conversar com um camponês chamado Rafael, morador das montanhas.
Com mais de setenta anos, ele descia para vender mangas e limões na cidade. Com o dinheiro, queria comprar um simples par de sapatos. Havia uma dignidade profunda naquela cena, uma simplicidade que desafiava nossa lógica de consumo.
Em cidades como Camagüey, a semelhança com o interior do Brasil era forte. Casas simples, vida tranquila e um povo acolhedor. A identificação com outros latino-americanos era imediata e genuína, uma solidariedade que nascia do reconhecimento.
A resistência que não se apaga
Hoje, mais de uma década depois, a situação se tornou ainda mais difícil. As sanções econômicas se intensificaram, criando apagões e escassez. É uma pressão brutal sobre a população comum, uma tentativa de asfixia pelo cansaço.
Os números de mortalidade infantil e expectativa de vida refletem o custo humano dessa guerra silenciosa. São danos colaterais calculados em gabinetes longe dali. Uma política que usa a fome e a escuridão como armas de submissão.
Ainda assim, o espírito de resistência permanece. Como disse um médico em Havana, há quem seja contra, mas há muitos mais que seguem acreditando. A ilha carrega no dia a dia a prova de que a dignidade humana não tem preço. Tudo sobre o Brasil e o mundo aqui.
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