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Credores da Fictor Invest se organizam em associação para buscar ressarcimento

Um grupo de credores da Fictor Invest, empresa que pediu recuperação judicial na semana passada, decidiu agir por conta própria. Eles estão se organizando fora do processo judicial, criando uma associação independente. A ideia é unir forças para buscar seus recursos de forma coordenada e mais ágil.

A nova entidade, que será chamada de Associação de Credores da Fictor Invest (ACFictor), já planeja ter um site próprio e se formalizar juridicamente. O objetivo inicial é reunir pelo menos 500 investidores nos próximos dias. A união pretende dar mais voz e poder de negociação às pessoas afetadas.

Mesmo se a Justiça negar o pedido de recuperação da empresa, o grupo seguirá em frente. A associação quer contratar peritos e contadores especializados. Eles ajudarão a localizar e executar os bens da Fictor e de seus controladores, buscando formas de ressarcimento.

Organização e atuação prática

Enquanto a Justiça analisa o pedido e determina uma perícia independente, os credores se preparam. Caso a recuperação judicial seja aprovada, a associação terá um papel ativo na Assembleia Geral de Credores. Eles pretendem votar de forma unificada, podendo rejeitar propostas desfavoráveis.

A empresa declarou no processo que não quer dar descontos diretos na dívida, que chega a R$ 4 bilhões. No entanto, os credores sabem que o prejuízo pode vir por outros caminhos. O alongamento excessivo dos prazos de pagamento é uma forma comum de reduzir o valor real devido.

Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no site Clevis Oliveira. Recentemente, casos como o da 123 Milhas e das Lojas Americanas mostraram essa tática. Planos podem estender pagamentos por mais de uma década ou propor deságios altíssimos, mascarando a perda real.

A fragilidade dos investimentos em SCP

A grande maioria dos investimentos na Fictor foi feita por meio de Sociedades em Conta de Participação (SCP). Esse é um ponto crucial: os SCPs não têm a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em caso de quebra, não há essa rede de segurança para o investidor.

Além disso, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não regula esses contratos quando feitos fora do mercado formal. Os SCPs são acordos privados, previstos no Código Civil, muito usados em projetos específicos como imóveis. Porém, sua oferta em massa gera um vácuo regulatório perigoso.

Para especialistas, a forma como a Fictor distribuiu seus SCPs se assemelha a uma oferta pública irregular. A Associação Brasileira de Assessores de Investimento já pediu à CVM que avalie o caso. Eles argumentam que o modelo se enquadra como um Contrato de Investimento Coletivo, o que exigiria supervisão.

O que levou à crise de liquidez

No pedido à Justiça, a Fictor atribuiu seus problemas à tentativa fracassada de comprar o Banco Master. O anúncio da operação, ironicamente, causou um efeito contrário. Preocupados, os investidores pediram o resgate de R$ 2,1 bilhões dos R$ 3 bilhões totais aplicados.

A situação piorou com a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no mesmo dia do anúncio. No dia seguinte, o Banco Master foi liquidado. Esse evento em cadeia secou o caixa da empresa de forma abrupta e inesperada, tornando impossível honrar todos os compromissos.

Diante do colapso, a Fictor anunciou uma mudança radical de rumo. Ela pretende sair do setor financeiro e de grãos, focando agora no ramo de alimentos, especialmente carnes. Também planeja vender seus ativos em energia e imóveis para gerar caixa e pagar suas dívidas.

Atrasos e o modelo questionado

Os atrasos nos pagamentos aos investidores começaram no final do ano passado. Embora o instrumento SCP seja legal, sua utilização em escala industrial para captar recursos de milhares de pessoas é vista com ressalvas. Especialistas afirmam que ele não foi desenhado para isso.

A empresa interrompeu a captação via novos SCPs em agosto de 2024, tentando conter os riscos. Mas o estrago já estava feito. A enxurrada de pedidos de resgate após o fiasco com o Banco Master mostrou que o modelo era frágil e não suportaria uma crise de confiança.

Tudo sobre o Brasil e o mundo aqui, no site Clevis Oliveira. O universo de credores supera 13 mil pessoas, sendo 11 mil pessoas físicas. São milhares de histórias e economias afetadas, que agora buscam, na união e na organização, uma solução para um problema complexo.

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