Os Correios anunciaram um plano de reestruturação ambicioso nesta segunda-feira. A empresa pública pretende fechar cerca de mil agências próprias nos próximos anos. Essa medida representa aproximadamente 16% do total de unidades administradas diretamente pela estatal.
A decisão visa economizar recursos e conter os prejuízos acumulados desde 2022. A expectativa é uma redução de custos na casa dos R$ 2,1 bilhões apenas com o fechamento desses pontos. A empresa, no entanto, mantém a promessa de não abandonar nenhuma região do país.
O presidente Emmanoel Rondon garantiu que o serviço postal continuará universal. A ponderação entre saúde financeira e cobertura nacional será cuidadosa. A rede de atendimento, que inclui parcerias, soma dez mil pontos e deve ser reorganizada, não extinta.
Um ajuste necessário nas contas
Os números explicam a urgência do plano. A empresa registra um déficit estrutural de R$ 4 bilhões ao ano. Somente em 2025, o prejuízo chegou a R$ 6 bilhões nos nove primeiros meses. O patrimônio líquido já está negativo em mais de R$ 10 bilhões.
Para reforçar o caixa imediato, a estatal contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos. Ainda assim, a diretoria busca mais R$ 8 bilhões para equilibrar as contas até 2026. A situação financeira exigiu uma ação ampla e de longo prazo.
A rigidez das despesas fixas, que consomem 90% do orçamento, limita a capacidade de reação. A empresa precisa de mais flexibilidade para se adaptar ao mercado. O plano tenta criar esse espaço manobrável para os próximos anos.
Mudanças no quadro de funcionários
A redução de pessoal é outro pilar central da reestruturação. A meta é diminuir o quadro em até 15 mil colaboradores até 2027. Isso será feito por meio de dois programas de demissão voluntária, um em 2026 e outro no ano seguinte.
Os benefícios dos funcionários também passarão por revisão. Os planos de saúde e previdência terão os aportes da empresa reduzidos. A justificativa é que o custo atual se tornou financeiramente insustentável para os Correios.
Combinadas, as demissões e o corte de benefícios devem gerar uma economia anual de R$ 2,1 bilhões. A venda de imóveis ociosos complementa a estratégia, com potencial de gerar R$ 1,5 bilhão em receita extra.
Uma transformação mais profunda
Olhando para o futuro, os Correios estudam uma mudança em sua natureza jurídica. A partir de 2027, pode haver uma abertura de capital. A empresa poderia se tornar uma sociedade de economia mista, como a Petrobras e o Banco do Brasil.
A medida buscaria mais agilidade e novos investimentos. A crise no setor postal é global, impulsionada pela digitalização. As cartas físicas, outrora a principal receita, foram substituídas por e-mails e mensagens instantâneas.
A concorrência no segmento de e-commerce também apertou. Empresas privadas disputam espaço em um mercado antes dominado pela estatal. A adaptação é uma necessidade de sobrevivência em um mundo que mudou rapidamente.
O desafio de servir a todo um país
A empresa reconhece a complexidade de servir um território continental como o Brasil. Garantir o acesso a serviços postais em locais remotos tem um custo alto. Esse é o preço de cumprir a função social de integrar o país.
O plano não é apenas cortar gastos, mas reposicionar a empresa. A ideia é mantê-la como um ativo estratégico para o Estado brasileiro. Eficiência operacional e presença nacional precisam andar juntas.
O caminho à frente é desafiador, mas a reestruturação parece inevitável. O objetivo final é assegurar que os Correios continuem entregando, literalmente, para o Brasil. Informações inacreditáveis como estas mostram a complexidade de administrar uma empresa pública.
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