A Coreia do Sul decidiu dar um passo importante para acalmar os ânimos em meio a uma nova ameaça comercial. O governo em Seul vai comunicar oficialmente a Washington que pretende honrar o acordo comercial firmado entre os dois países. A decisão surge como uma resposta direta ao anúncio público do presidente americano, Donald Trump, sobre aumentar tarifas de importação.
O anúncio de Trump foi feito em sua rede social, a Truth Social. Ele declarou a intenção de elevar as alíquotas sobre carros sul-coreanos, madeira, produtos farmacêuticos e outros itens. A taxa, que hoje é de 15%, saltaria para 25%. A medida, no entanto, ainda precisa passar por trâmites administrativos internos nos Estados Unidos antes de valer.
É justamente esse intervalo burocrático que o governo sul-coreano quer usar a seu favor. A ideia é reforçar o compromisso com o pacto já estabelecido antes que a ameaça se torne realidade. A estratégia da Coreia do Sul será, nas palavras oficiais, “serena e gradual”. O objetivo claro é evitar uma guerra comercial aberta que prejudique ambos os lados.
A reação imediata e os desdobramentos
Imediatamente após o anúncio de Trump, os ministérios sul-coreanos entraram em ação. O Ministério da Economia e das Finanças afirmou que está analisando as verdadeiras intenções por trás da declaração. Apesar de não ter recebido uma notificação formal pelos canais diplomáticos tradicionais, o governo já está se movimentando.
O plano é entrar em contato direto com as autoridades americanas para explicar a situação do lado de cá. O ponto central é atualizar os Estados Unidos sobre o andamento do projeto de lei no Parlamento sul-coreano. Esse projeto é crucial, pois é ele que vai permitir a implementação prática do acordo comercial fechado em novembro.
A próxima sessão parlamentar para discutir essas propostas está marcada para a semana que vem. O governo sul-coreano deve pedir cooperação e celeridade aos legisladores. O acordo envolve um compromisso de investimento de 350 bilhões de dólares da Coreia do Sul nos Estados Unidos, um volume enorme que interessa a ambos os países.
Os esforços diplomáticos e o impacto no mercado
Enquanto a parte legislativa se movimenta, a via diplomática também está a pleno vapor. O principal negociador comercial da Coreia do Sul deve viajar em breve aos Estados Unidos para se reunir com seu homólogo americano. Paralelamente, o ministro da Indústria, que está no Canadá, também seguirá para Washington.
A agenda desses encontros será única: tratar da ameaça tarifária e buscar uma solução que mantenha o acordo de pé. Analistas internacionais sugerem que o anúncio de Trump pode ser uma tática de pressão. O objetivo seria acelerar a votação do projeto de lei na Coreia do Sul antes de uma decisão crucial da Suprema Corte americana sobre a legalidade dessas tarifas.
O mercado financeiro reagiu assim que a notícia se espalhou. Na Bolsa de Seul, as ações das grandes montadoras Hyundai e Kia caíram. Empresas dos setores de biologia e farmacêutica, como a Samsung Biologics e a Celltrion, também registraram perdas. A movimentação mostra a sensibilidade dos investidores a qualquer ruído na relação entre os dois parceiros comerciais.
Em um cenário geopolítico mais amplo, enquanto esse desenrolar acontece, líderes globais seguem suas agendas. Em Pequim, o presidente chinês, Xi Jinping, reafirmou em um encontro o apoio de seu país às Nações Unidas como pilar da ordem mundial. O gesto sutil contrasta com iniciativas unilaterais, mas evitou comentários diretos sobre propostas de outras nações.
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