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Contrabando do Paraguai rende lucro de até 500% ao crime organizado no Brasil

O contrabando de produtos paraguaios para o Brasil se tornou um negócio bilionário, controlado por grandes facções criminosas. A região de Foz do Iguaçu, na fronteira, é o principal ponto de entrada dessas mercadorias ilegais. Essa atividade não só movimenta valores gigantescos fora da economia formal, como também cria uma concorrência desleal com empresas sérias e tira recursos dos cofres públicos.

No passado, essa prática era associada a sacoleiros individuais, os chamados “muambeiros”. Hoje, o cenário mudou completamente. O domínio agora é de organizações como o PCC e o Comando Vermelho, que enxergaram o enorme potencial de lucro. Grupos menores também tentam garantir seu espaço nesse mercado ilegal, que movimenta impressionantes sessenta bilhões de reais por ano.

Um estudo recente revelou números que explicam esse interesse massivo do crime. A margem de lucro média do contrabando pode ultrapassar quinhentos por cento. Esse cálculo considera o custo de trazer a mercadoria ilegalmente e o preço final de revenda no mercado clandestino. Lá, sem a carga pesada de impostos, os produtos conseguem ser vendidos por valores muito abaixo dos praticados legalmente.

### O que é contrabandeado e por que dá tanto lucro

O cigarro paraguaio é o carro-chefe dessa economia ilegal e também o item mais lucrativo. Ele chega a render margens acima de quinhentos por cento para as organizações criminosas. Esse produto, inclusive, já foi apontado em relatórios internacionais como uma possível fonte de financiamento para grupos terroristas. Logo atrás dos cigarros, aparecem medicamentos, incluindo hormônios e anabolizantes, e os populares smartphones.

A lista de produtos apreendidos pelas autoridades é longa e diversa. Perfumes, agrotóxicos, brinquedos, pilhas, roupas, eletrônicos, bebidas e pneus também têm espaço garantido nesse comércio. Recentemente, os cigarros eletrônicos, proibidos no Brasil, ganharam um mercado crescente no contrabando. A Argentina também participa desse cenário, principalmente com a venda ilegal de vinhos, que oferece uma margem de lucro atrativa.

É importante entender que os preços baixos não vêm só da sonegação fiscal. O contrabandista tem seus próprios custos operacionais, que em média consomem vinte e dois por cento do valor. Essa conta inclui transporte, pagamento de pessoas envolvidas, perda de veículos apreendidos e até honorários advocatícios. Existe até uma espécie de “seguro” pago aos participantes durante períodos de repressão mais intensa das autoridades.

### Como o contrabando funciona na prática

A fiscalização na principal via de acesso, a Ponte da Amizade, é um grande desafio. Agentes da Receita Federal admitem que menos de dois por cento do enorme fluxo de pessoas e veículos é efetivamente inspecionado. Isso significa que a grande maioria das mercadorias ilegais passa sem ser notada. Estima-se que apenas entre cinco e dez por cento de todo o contrabando seja interceptado.

Além da ponte, os criminosos usam rotas alternativas para burlar o controle. Em Foz do Iguaçu, a Vila Portes, às margens do rio Paraná, é um ponto conhecido. Lá, portos clandestinos recebem barcos que partem de Ciudad del Este, no Paraguai. Operações policiais recentes, como a “Sicarius”, buscam combater essas organizações, focando também na lavagem do dinheiro gerado pelo contrabando de cigarros e agrotóxicos.

O poder das facções se reflete nos números. Só no Paraná, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu milhões de maços de cigarros em apenas quatro meses deste ano. Isso representa quase metade de todas as apreensões feitas nas estradas federais do país. O transporte dessas cargas exige uma estrutura complexa, que inclui desde caminhões de grande porte até a cooptação de motoristas.

### O que acontece com os produtos apreendidos

Quando uma mercadoria contrabandeada é apreendida, seu destino não é único. Os itens são enviados à Receita Federal, que decide o que fazer com eles com base em algumas variáveis. As possibilidades são a doação para entidades, a realização de leilões, a destruição pura ou a incorporação dos bens ao patrimônio público.

Produtos falsificados ou que não atendem às normas brasileiras são imediatamente destruídos. É o caso comum de brinquedos sem selo do Inmetro, roupas de times falsas, óculos de grife piratas e, claro, os cigarros contrabandeados. Já as bebidas alcoólicas apreendidas têm um fim diferente: são transformadas em álcool gel por universidades, para uso em repartições públicas.

Os leilões da Receita são uma oportunidade para o cidadão comum. Eles geralmente envolvem itens como celulares, notebooks e veículos que foram apreendidos em operações. Qualquer pessoa pode participar e adquirir esses bens. Se os produtos forem úteis para o trabalho da própria Receita ou da Polícia Federal, outra opção é a incorporação direta desses materiais às instituições.

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