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‘Conselho de Paz’ de Trump é criticado no governo Lula: ‘Péssimo’

O convite chegou de forma inesperada. O ex-presidente americano Donald Trump quer criar um novo fórum global, um "Conselho da Paz", e convidou o Brasil para fazer parte. A proposta, no entanto, causou um frio na barriga dos diplomatas brasileiros. As primeiras impressões em Brasília não foram nada animadoras.

A ideia, revelada em detalhes, promete abalar as estruturas da diplomacia mundial. Especialistas alertam que um projeto desse tipo poderia minar para sempre o sistema multilateral, aquele que reúne várias nações em fóruns como a ONU. O risco é deixar as organizações internacionais atuais em uma situação praticamente inviável.

O governo Lula ainda não deu uma resposta oficial aos americanos. O Planalto informa que a proposta está sob análise cuidadosa. Por trás das cenas, porém, a avaliação inicial é bastante crítica. Negociadores experientes já sugerem que o Brasil deveria recusar o convite de pronto. Os motivos para essa cautela são profundos e merecem uma boa explicação.

A estrutura que gera preocupação

O ponto mais espinhoso do projeto é o poder concentrado. Segundo o texto, Donald Trump teria a palavra final em todas as decisões do conselho, mesmo que os outros países pudessem votar. Isso funciona como um veto absoluto, mas nas mãos de um único governo, não de um bloco de nações. A autonomia das outras partes ficaria seriamente comprometida.

Outro problema grave é a falta de equilíbrio. A proposta não traz qualquer compromisso com uma representação regional balanceada ou com a participação efetiva de países em desenvolvimento. Para completar, a entidade teria apenas uma língua oficial: o inglês. Esse detalhe, sozinho, já cria uma barreira de entrada e uma desvantagem clara para muitas nações.

A questão financeira também levanta suspeitas. Não está claro para onde iriam os recursos aportados por cada governo. Pior ainda: uma vaga permanente nesse conselho teria um preço de ingresso astronômico, na casa do bilhão de dólares. A vaga, portanto, dependeria mais do tamanho do cheque do que da legitimidade política ou do papel histórico do país no cenário mundial.

Os riscos por trás da proposta

A base jurídica da proposta é considerada frágil. O conselho não se fundamentaria claramente no direito internacional, nem em conceitos consagrados como soberania nacional ou integridade territorial. Essa ambiguidade abre um precedente perigoso. Sem regras do jogo sólidas e universalmente aceitas, a força pode falar mais alto do que a lei.

Na prática, o governo Lula avalia que esse vácuo poderia ser um caminho para a entidade legitimar ações militares unilaterais. Seria um instrumento para justificar invasões ou intervenções, sob um suposto selo de "paz", mas sem o contrapeso de um sistema multilateral verdadeiro. O risco para a estabilidade global é imenso.

Diante de tudo isso, a posição brasileira tende a ser de extrema prudência. O Brasil, que historicamente defende um multilateralismo forte e a reforma dos organismos existentes, parece enxergar mais armadilhas do que oportunidades nessa nova ideia. A postura deve ser de defender o diálogo entre as nações, mas em um palco que respeite a todos igualmente. O momento agora é de análise fria, sem pressa para compromissos.

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