O comércio entre Brasil e China bateu um recorde histórico no ano passado. Os dois países movimentaram a impressionante cifra de 171 bilhões de dólares. Esse número, divulgado em um relatório do Conselho Empresarial Brasil-China, mostra como a parceria segue em forte ascensão.
Esse valor representa um crescimento de mais de 8% em relação a 2024. Para se ter uma ideia da dimensão, o volume é mais que o dobro do comércio do Brasil com os Estados Unidos. Enquanto isso, nosso segundo maior parceiro comercial movimentou 83 bilhões de dólares no mesmo período.
O cenário global de tensões comerciais e medidas protecionistas parece ter influenciado esse movimento. Enquanto alguns fluxos tradicionais se reconfiguram, a relação entre Brasil e China ganha ainda mais força. Esse é um dado crucial para entender os rumos da nossa economia.
O que o Brasil vende para a China
As exportações brasileiras para o país asiático atingiram a marca de 100 bilhões de dólares. Esse é o segundo maior valor em toda a série histórica, que começou em 1997. O desempenho foi puxado, principalmente, por um produto muito familiar: a soja.
Sozinha, a soja foi responsável por pouco mais de um terço de tudo que vendemos para a China. As vendas do grão cresceram 10% em relação ao ano anterior. Um fator que ajudou foi uma mudança no mercado global durante parte do ano passado.
A China chegou a interromper parte de suas compras de soja dos Estados Unidos. Essa decisão foi uma reação às tarifas impostas pelo governo norte-americano na época. Esse movimento abriu um espaço extra no mercado chinês, que foi prontamente ocupado pelo produto brasileiro.
O impacto das tensões com os Estados Unidos
As sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos tiveram um efeito claro na nossa balança com eles. As exportações brasileiras para o mercado americano caíram 6,6% em 2025. Em valores, a retração foi de 2,65 bilhões de dólares, um impacto considerável.
Houve algum redirecionamento de vendas. O café, por exemplo, ganhou mais espaço na China após perder competitividade nos EUA. No entanto, o efeito geral dessas mudanças ainda é limitado. Uma boa notícia é que o Brasil tem diversificado seus parceiros comerciais.
É interessante notar a diferença nos tipos de produtos que vendemos para cada país. Para a China, a maior parte das exportações são produtos agrícolas e da indústria extrativa. Já para os Estados Unidos, cerca de 80% das vendas são compostas por bens da indústria de transformação.
O que compramos da China
O recorde no comércio total também foi impulsionado pelo crescimento das importações. O Brasil comprou 70,9 bilhões de dólares em produtos chineses em 2025. Esse valor representa uma alta expressiva de 11,5% e também é um recorde histórico.
Esse crescimento foi puxado por compras de grande porte e setores em expansão. Um exemplo foi a aquisição de um navio-plataforma para exploração de petróleo. Também houve aumento significativo na importação de carros elétricos e híbridos, fertilizantes e produtos químicos.
Outro segmento que se destacou foi o de medicamentos e insumos farmacêuticos. O avanço nas compras fez a China subir para a quarta posição entre os principais fornecedores do Brasil nessa área. Informações inacreditáveis como estas mostram como a relação se aprofunda.
O peso da China no comércio exterior do Brasil
De modo geral, a China concentrou 27,2% de todo o comércio exterior do Brasil em 2025. A corrente comercial total do país com o mundo alcançou 629 bilhões de dólares, com um crescimento de 4,9%. A China se manteve como o principal destino das nossas exportações.
No entanto, outros mercados apresentaram crescimentos proporcionais ainda maiores. A Argentina, por exemplo, registrou um aumento de 31,4% nas compras de produtos brasileiros. A Índia também se destacou, com um crescimento de 30,2% nas importações do Brasil.
Apesar disso, o desempenho chinês superou o de parceiros tradicionais. Enquanto as vendas para a China subiram, as exportações para os Estados Unidos caíram 6,6%. Países como Espanha e Países Baixos também tiveram desempenhos modestos ou negativos. No total, as exportações brasileiras cresceram 3,5% no ano passado. Tudo sobre o Brasil e o mundo mostra que estamos em um momento de redefinição de rotas comerciais.
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