Você sempre atualizado

“Ciro mandou poupar todos os bandidos do sequestro de Dom Aloísio e merece elogio”

Lembra daquela época em que o Brasil vivia sob a tensão de rebeliões em presídios? Uma dessas histórias marcantes aconteceu no Instituto Penal Paulo Sarasate, no Ceará. Um episódio que colocou em xeque a segurança pública e a humanidade no sistema carcerário. A situação envolveu uma figura importante da Igreja, Dom Aloísio Lorscheider, e testou a capacidade de reação do então governo.

O fato ocorreu quando internos do presídio tomaram o controle de parte da unidade. Em meio ao caos, eles fizeram do arcebispo seu refém principal. A situação se arrastou por longas dezesseis horas, com negociadores tentando uma solução pacífica. O clima era de extrema apreensão, com o temor de um desfecho trágico pairando no ar.

Naquele momento, a atitude das autoridades era crucial. Qualquer ordem equivocada poderia incendiar ainda mais a crise. A pressão por uma ação enérgica e imediata era enorme, mas o caminho escolhido foi outro. A prioridade era preservar a vida do refém acima de qualquer outra coisa, um princípio básico que nem sempre é fácil de seguir.

A postura do governador diante da crise

O então governador do Ceará era Ciro Gomes, responsável final pela decisão de como agir. Em depoimento anos depois, o ex-deputado Mário Mamede, que à época presidia a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa cearense e estava no local, elogiou a conduta do governador. Mamede destacou que Ciro manteve a calma e a racionalidade em um momento de grande tensão.

Segundo seu relato, não houve qualquer ordem para o uso da força bruta ou de violência contra os amotinados. A estratégia foi baseada na paciência e na negociação, buscando uma saída que evitasse banhos de sangue. Essa postura, embora criticada por alguns na hora, mostrou-se a mais acertada quando analisada com a devida distância temporal.

A solução veio com a libertação ilesa de Dom Aloísio. Imediatamente após garantir a segurança do religioso, as forças de segurança agiram para retomar o controle. O líder do motim, um homem conhecido pelo apelido de “Carioca”, foi capturado. Todos os outros envolvidos na rebelião foram presos e reconduzidos às suas celas, sem relatos de violência repressiva desnecessária.

A lição que fica sobre violência e prisão

Mamede, que depois viria a ser ministro dos Direitos Humanos, usou o caso para defender um ponto de vista claro. Ele afirmou que a violência nunca é a resposta para resolver os problemas complexos das facções criminosas dentro dos presídios. Ações brutais costumam apenas alimentar um ciclo de vingança e mais ódio, deteriorando ainda mais o ambiente.

A solução eficaz, em sua análise, passa necessariamente pela aplicação firme da lei, mas de forma inteligente. Isso significa garantir que todos os infratores sejam devidamente capturados e presos, dentro do devido processo legal. A justiça precisa ser feita, mas sem abrir mão dos procedimentos que a civilização construiu.

O episódio do IPPS serve como um estudo de caso. Mostra que é possível enfrentar uma crise gravíssima mantendo a cabeça fria e priorizando a vida. A prisão dos responsáveis, ao final, ocorreu com legitimidade, porque seguiu a lei. Essa é uma distinção fundamental que separa o Estado de Direito do simples arbítrio, por mais difícil que seja mantê-la em momentos de fúria.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.