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China reage a ameaça de Trump e diz que acordo com o Canadá não mira terceiros

A relação comercial entre China e Canadá está dando um novo passo, mas o movimento tem gerado reações fortes do outro lado da fronteira. Os dois países buscam reaquecer seus laços econômicos após um período de tensões, com concessões mútuas em setores sensíveis. No entanto, essa reaproximação colocou os Estados Unidos em alerta, resultando em ameaças tarifárias diretas.

O governo chinês saiu publicamente em defesa do acordo nesta semana. Um porta-voz afirmou que os entendimentos com Ottawa não visam prejudicar nenhuma outra nação. A ideia, segundo Pequim, é que as relações internacionais devem ser baseadas em cooperação e benefícios para todos os lados envolvidos. A declaração foi uma resposta clara às preocupações americanas.

A reação dos Estados Unidos foi imediata e veio do mais alto nível. O presidente Donald Trump advertiu que poderá impor tarifas de cem por cento sobre produtos canadenses se o acordo com a China for adiante. Ele expressou preocupação com a possibilidade de o Canadá se tornar uma porta de entrada para mercadorias chinesas no mercado norte-americano. A tensão comercial, portanto, pode se realocar para um novo eixo.

A reaproximação entre Ottawa e Pequim

A visita recente do primeiro-ministro canadense à China marcou o primeiro encontro desse nível em oito anos. O objetivo central era destravar uma relação comercial que havia esfriado bastante. O país busca reconstruir laços com seu segundo maior parceiro comercial, atrás apenas dos Estados Unidos. O plano envolve concessões importantes de ambos os lados.

De um lado, o Canadá planeja permitir a entrada de um número significativo de veículos elétricos chineses com uma tarifa muito reduzida. A taxa proposta é de apenas seis por cento, um contraste gritante com a alíquota de cem por cento vigente até então. A medida representa uma mudança de rumo na política comercial adotada pelo governo anterior.

Do outro lado, a China se comprometeu a reduzir drasticamente as tarifas sobre produtos agrícolas canadenses. Itens como a canola, que foram alvo de retaliações pesadas, devem ter suas taxas diminuídas para patamares bem mais acessíveis. Essa é uma demanda antiga dos produtores rurais do Canadá, que viram suas exportações caírem nos últimos anos.

Os termos do novo entendimento comercial

O acordo em negociação tem números bastante concretos. Inicialmente, o Canadá liberaria a entrada de quase cinquenta mil veículos elétricos da China com a tarifa preferencial. Esse volume tem potencial para crescer gradualmente nos próximos anos. A justificativa do governo é que isso estimula a indústria local e o acesso a tecnologias inovadoras.

No setor agrícola, a mudança seria ainda mais imediata. As tarifas chinesas sobre sementes de canola, por exemplo, cairiam de um patamar atual de oitenta e quatro por cento para cerca de quinze por cento. Outros produtos como lagosta e farinha de canola também teriam medidas suspensas. O governo canadense estima um impacto positivo de bilhões de dólares.

Essa revisão tarifária é apresentada como uma resposta direta à abertura do mercado canadense para os carros chineses. O Ministério do Comércio da China confirmou que está ajustando suas medidas em relação aos produtos do Canadá. A ideia é criar um ciclo de benefícios mútuos, desfazendo os entraves criados na gestão anterior.

As críticas e os riscos políticos

A iniciativa, porém, não é unânime nem dentro do Canadá, nem na relação com seu maior parceiro. Nos Estados Unidos, a visão é de que o acordo pode desequilibrar o mercado regional. A ameaça de tarifas retaliatórias sobre todos os produtos canadenses é um risco econômico sério. Tudo vai depender de como as negociações evoluem.

Dentro do Canadá, vozes importantes também se levantam contra. O primeiro-ministro da província de Ontário, por exemplo, alertou para o risco de uma enxurrada de veículos baratos sem contrapartidas claras em investimentos industriais locais. O temor é que a medida prejudique a cadeia produtiva doméstica no longo prazo.

Apesar das críticas, o primeiro-ministro canadense segue defendendo a estratégia. Ele argumenta que o desenvolvimento de uma indústria competitiva passa pelo aprendizado com parceiros globais e pelo acesso a cadeias de suprimentos internacionais. O diálogo com a China, portanto, é visto como um caminho necessário, ainda que cheio de desafios.

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