A situação segue muito grave na região da Zona da Mata de Minas Gerais. O balanço mais recente divulgado pelos bombeiros já contabiliza sessenta e quatro mortes por causa dos temporais. A grande maioria, cinquenta e oito vidas perdidas, está na cidade de Juiz de Fora. Outras seis mortes foram registradas no município vizinho de Ubá.
As equipes de resgate não pararam. Elas atuam agora em três frentes de trabalho diferentes, na esperança de localizar pessoas desaparecidas. Em Juiz de Fora, três cidadãos seguem sem paradeiro. Já em Ubá, são duas pessoas que as famílias ainda procuram. A chuva intensa e os estragos dificultam cada movimento.
Juiz de Fora foi, sem dúvida, a cidade mais castigada por essa série de temporais. As chuvas fortes começaram entre segunda e terça-feira da semana passada. Mas o pior ainda estava por vir. Na noite de quarta-feira, uma nova tempestade atingiu a região, agravando tudo o que já estava destruído e criando novos problemas.
Os estragos foram enormes e em vários pontos. O Hospital de Pronto Socorro, um dos principais da cidade, teve seu subsolo completamente inundado. Várias ruas e avenidas ficaram alagadas, bloqueando a passagem de ambulâncias e veículos de socorro. O rio Paraibuna chegou a marca assustadora de quatro metros de altura.
Novos deslizamentos aconteceram após as últimas chuvas. Um prédio no bairro Vila Ideal desabou. No Três Moinhos, uma grande massa de terra deslizou. A situação obrigou a prefeitura a interditarem um trecho importante da avenida Presidente Itamar Franco, que dá acesso ao bairro Dom Bosco.
O número de pessoas afetadas é chocante. Segundo a prefeitura de Juiz de Fora, mais de quatro mil e duzentas pessoas estão desabrigadas ou desalojadas. A cidade já decretou estado de calamidade pública, o que ajuda a liberar recursos federais e estaduais para o atendimento emergencial.
Um detalhe torna toda essa tragédia ainda mais dolorosa. Muitos moradores das áreas mais atingidas relataram que receberam alertas da Defesa Civil pouco antes do desastre. No entanto, eles também afirmaram nunca ter passado por um treinamento sobre como agir nesses momentos de emergência.
Os números explicam parte do risco. Juiz de Fora é a quarta cidade do país que mais recebeu alertas oficiais da Defesa Civil só neste ano. Foram trinta e cinco ocorrências registradas. Além disso, é o município com o maior número de pessoas vivendo em áreas de risco no Brasil: impressionantes cento e vinte e oito mil cidadãos.
A dimensão da tragédia gerou uma onda de críticas nas redes sociais. Governador e deputados estaduais foram alvo de questionamentos da população. Muitos cobram mais investimentos em prevenção e infraestrutura, argumentando que desastres dessa magnitude poderiam ser mitigados com ações planejadas de longo prazo.
Enquanto isso, a vida segue extremamente difícil para os sobreviventes. A reconstrução das casas e das vidas levará muito tempo. Informações essenciais sobre abrigos, doações e ajuda emergencial são difundidas aos poucos, em meio a um cenário de luto e perdas materiais incalculáveis para milhares de famílias mineiras.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.