Ceará Sem Fome + Qualificação e Renda certifica 253 beneficiários durante Feira Empreendedora em Guaiúba
Mais de duzentas pessoas receberam, na última quinta-feira, um certificado que representa muito mais que um diploma. Elas concluíram cursos de qualificação profissional em Guaiúba, no Ceará. A formatura aconteceu durante uma feira empreendedora cheia de sabores e novas esperanças.
O evento marcou a conclusão de quinze turmas dos municípios de Guaiúba, Pacatuba e Itaitinga. Os alunos aprenderam técnicas de gastronomia para criar pratos que podem virar fonte de renda. A iniciativa é parte do eixo +Qualificação e Renda, do programa Ceará Sem Fome.
Desde que foi criado, em julho do ano passado, esse eixo já qualificou mais de vinte e sete mil cearenses. A ideia é combater a insegurança alimentar não apenas com assistência, mas com oportunidade. A formação abre portas para que as pessoas gerem sua própria renda.
Um aprendizado que vai para a panela
A teoria dos cursos saiu diretamente para os fogões durante a Feira Sabores que Transformam. Os participantes montaram trinta estandes para vender o que aprenderam a fazer. Os visitantes encontraram um verdadeiro banquete de comidas típicas e criativas.
Havia desde petiscos e salgados até pratos como vatapá de peixe e camarão. Doces como cocadas e bolos caseiros também fizeram sucesso. Cada barraca era a prova de que o conhecimento adquirido pode se transformar em produto e, logo depois, em dinheiro no bolso.
A instrutora Ana Márcia destacou um apoio essencial: os alunos não pagaram nada pela formação. Eles receberam uma ajuda de custo para participar, um detalhe que faz toda a diferença. Assim, puderam se dedicar aos estudos sem preocupação financeira imediata.
Novos horizontes a partir da cozinha
Para muitos, a qualificação significou enxergar um futuro diferente. Vera Lúcia, uma das formandas, aprendeu a preparar desde baião de dois até creme de galinha. Ela viu naquilo uma chance de mudar a realidade da sua família.
Ela conta que suas filhas já trabalham com comida e que agora pensam em abrir um pequeno negócio juntas. O curso deu a técnica e a confiança que faltavam para tirar o plano do papel. É um passo concreto rumo à autonomia financeira.
Vera também deixou um convite especial. Ela incentiva outras mulheres a buscarem essas oportunidades. Para ela, a chance de aprender um ofício de graça é um divisor de águas. É um caminho para ganhar independência e autoestima.
Mais do que receitas: uma base para empreender
O projeto foi cuidadosamente desenhado para ir além da capacitação técnica. Nilzete Meyer, da equipe do +Qualificação e Renda, explicou que o objetivo é conectar o aprendizado ao empreendedorismo. Por isso, a formação teve duas partes fundamentais.
A primeira ensinou as técnicas de produção, como manipulação de alimentos e execução das receitas. A segunda, ministrada em parceria com o Sebrae, focou no negócio. Os alunos aprenderam a calcular o preço de venda e a divulgar seus produtos.
Essa combinação é crucial. De nada adianta fazer um prato delicioso se não souber quanto cobrar por ele ou como atrair clientes. O curso tenta fechar esse ciclo, dando ferramentas para o participante se tornar um microempreendedor de verdade.
Apoio para dar o primeiro passo
A feira também serviu para apresentar outros serviços públicos que dão suporte a quem quer começar. O Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT) esteve lá para mostrar as oportunidades de emprego com carteira assinada disponíveis no estado.
Já a equipe do Ceará Credi ofereceu orientação sobre microcrédito. Eles explicaram como acessar empréstimos com juros zero para iniciar ou ampliar um pequeno negócio. Esse capital inicial pode ser o empurrão que faltava para comprar o primeiro lote de ingredientes.
Essa rede de apoio tenta cobrir todas as etapas: qualificação, mentoria para empreender e acesso a crédito. O caminho fica menos difícil quando se tem onde buscar informação e um pequeno financiamento para os primeiros investimentos.
Uma porta de entrada para o mercado
O eixo +Qualificação e Renda oferece cursos em várias áreas além da gastronomia. Há formações em beleza, assistência administrativa e prestação de serviços, por exemplo. O foco sempre é a inclusão produtiva de quem mais precisa.
A estratégia do programa é clara: combater a fome com renda estável. E uma das formas mais diretas de fazer isso é ensinar uma profissão. Quando uma pessoa tem um ofício, ela tem um instrumento poderoso para transformar sua própria vida.
A feira em Guaiúba mostrou que, com o suporte certo, o talento e a determinação das pessoas florescem. Cada bolo vendido, cada prato elogiado, representa um passo firme para longe da insegurança. É a transformação que começa no prato e chega a toda a família.
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