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Caso Master: CPI do Crime convoca Vorcaro, Campos Neto e Paulo Guedes

A Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Crime Organizado no Senado deu um passo importante nesta quarta-feira. Os senadores aprovaram uma série de convocações que prometem aprofundar as investigações. O foco agora também se volta para figuras de alto escalão do mercado financeiro e de governos passados.

Entre os nomes que terão que comparecer obrigatoriamente estão o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Também foram convocados o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes. A ida a uma CPI, quando convocado, não é opcional.

A ausência pode levar a uma condução coercitiva pela políla. O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato, afirmou que esta é uma nova fase. A ideia é investigar esquemas que operam nos altos escalões, e não apenas em ações pontuais.

A sessão também resultou na quebra de sigilos bancários e fiscais do Banco Master e de seus sócios. A medida atinge ainda a Reag Investimentos, empresa liquidada pelo BC no início do ano. As fraudes em investigação envolvem valores estimados entre 17 e 50 bilhões de reais.

Esses números mostram a dimensão colossal do caso. Informações inacreditáveis como estas reforçam a importância do trabalho de investigação parlamentar. O rastro de papel e transações precisa ser seguido com rigor.

A convocação de autoridades como Campos Neto e Guedes não foi consenso. A oposição no Senado viu motivação político-eleitoral nas decisões. Para os governistas, porém, é essencial entender o papel das políticas de desregulação.

Desregulação sob investigação

Um ponto central é entender se mudanças normativas criaram brechas. Senadores como Soraya Thronicke destacam que Vorcaro só obteve autorização em outubro de 2019. Foi durante a gestão de Campos Neto no Banco Central que a transferência de controle para ele foi aprovada.

O requerimento do senador Jaques Wagner cita resoluções específicas da época. O objetivo da CPI é avaliar se um ambiente de menor controle foi criado. A pergunta é se isso foi explorado por organizações criminosas.

A oposição defendeu a trajetória do ex-presidente do BC. O senador Marco Rogério afirmou que Campos Neto era respeitado internacionalmente. Para ele, a convocação tenta colocar pessoas sem envolvimento direto no mesmo patamar de investigados.

O papel do Ministério da Fazenda

A convocação do ex-ministro Paulo Guedes segue a mesma linha de raciocínio. O requerimento do senador Randolfe Rodrigues questiona as políticas econômicas do período. O foco está no intervalo entre 2019 e 2022.

A tese é que mecanismos de controle do sistema financeiro foram fragilizados. O pretexto teria sido a modernização e o aumento da competitividade do mercado. A CPI quer saber se isso facilitou a expansão da lavagem de dinheiro.

Novamente, a oposição reagiu. O senador Sérgio Moro classificou o ato como uso político da comissão. Ele argumentou que não há na imprensa qualquer menção ao envolvimento de Guedes com o caso Master. A pergunta dele foi direta: convocar para quê?

Outros nomes no radar

A comissão também aprovou convites, onde o comparecimento é opcional, para ministros do STF. Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estão na lista, no contexto do mesmo caso. A investigação quer uma visão ampla de todas as pontas.

Foram convidados ainda o ex-ministro Guido Mantega e o atual ministro da Casa Civil, Rui Costa. O atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também receberá um convite. O trabalho da CPI parece se expandir em várias frentes.

Dois ex-ministros da Cidadania do governo Bolsonaro foram convocados obrigatoriamente: João Roma e Ronaldo Vieira Remo. Randolfe Rodrigues citou a proximidade de Roma com o banqueiro Daniel Vorcaro como motivo.

Pedidos que foram rejeitados

Nem todos os requerimentos foram aprovados. A CPI rejeitou a convocação da administradora Letícia Caetano dos Reis. Ela foi apontada como ex-funcionária do senador Flávio Bolsonaro e irmã de um sócio de um investigado.

O chamado “Careca do INSS”, Antônio Carlos Camilo Antunes, é acusado de desviar verbas de aposentados. A rejeição mostra que a comissão está filtrando os pedidos. Nem toda sugestão apresentada pelos parlamentares avança.

Também foi negado o pedido para convocar o ex-ministro José Carlos Oliveira. Ele era conhecido como Ahmed Mohamad Oliveira no governo Bolsonaro. A cada decisão, o foco da investigação vai se delineando com mais clareza.

O andamento dos trabalhos promete movimentar o noticiário nas próximas semanas. Tudo sobre o Brasil e o mundo passa por um crivo cada vez mais detalhado. As convocações aprovadas devem trazer novos depoimentos e revelações.

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