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Caso da ‘rachadinha’ de Flávio Bolsonaro foi encerrado com perguntas não respondidas

Uma das maiores interrogações sobre a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência segue sendo o caso das chamadas "rachadinhas". As investigações foram arquivadas, mas deixaram perguntas sem resposta sobre a vida financeira do senador antes de chegar ao Senado. O tema ainda preocupa aliados, que temem o impacto na imagem do pré-candidato.

A denúncia original, de 2020, acusava o parlamentar de liderar um esquema para recolher parte dos salários de ex-funcionários. A suspeita era de desvio de cerca de seis milhões de reais da Assembleia Legislativa do Rio. Flávio sempre negou qualquer irregularidade.

Sua assessoria reforçou que ele e seus colaboradores tiveram suas vidas reviradas. Eles afirmam que o arquivamento comprova a honestidade do senador. O caso, no entanto, levantou detalhes curiosos sobre movimentações de grandes quantias em dinheiro vivo.

A origem misteriosa do dinheiro em espécie

Uma das questões centrais é a fonte do dinheiro vivo usado pela família. A investigação mostrou que muitas despesas eram pagas com notas, sem saques bancários correspondentes. Até 2014, Flávio não tinha renda declarada fora do cargo público.

Entre 2007 e 2009, ele comprou doze salas comerciais na Barra da Tijuca. Quase trezentos mil reais do negócio foram pagos em dinheiro físico. O senador declarou empréstimos de familiares para justificar a quantia.

O período entre 2010 e 2014 é o mais intenso. O casal fez várias transações imobiliárias. Foram identificados quase um milhão de reais em gastos sem origem comprovada. Um ex-assessor depositou valores em espécie na conta da esposa de Flávio perto de datas de pagamento de imóveis.

As transações imobiliárias que chamaram a atenção

Uma operação específica gerou forte suspeita. Em 2012, Flávio comprou dois apartamentos em Copacabana por trezentos e dez mil reais. Os vendedores haviam pagado quatrocentos e quarenta mil pelos mesmos imóveis apenas um ano antes.

Dois anos depois, o senador revendeu os apartamentos por mais de um milhão de reais. O lucro de duzentos e sessenta por cento em tão pouco tempo é considerado atípico. A investigação viu indícios de "pagamento por fora".

O corretor responsável pela venda depositou seiscentos e trinta e oito mil reais em dinheiro vivo em sua conta no dia da transação. Essa movimentação reforçou a tese de valores não declarados nas escrituras.

O cofre compartilhado e as coincidências de datas

Outro ponto curioso é um cofre bancário. Flávio manteve um cofre conjuntamente com seu irmão, Carlos Bolsonaro, por doze anos. Na abertura, em 2004, funcionários do banco anotaram que o cliente precisava guardar "valores".

Os dois não declararam qualquer quantia guardada ali em suas candidaturas da época. Flávio disse depois que o cofre era usado para "itens pessoais" por segurança. As datas de acesso ao cofre coincidem com operações imobiliárias da família.

Eles estiveram no banco próximo à compra dos apartamentos em Copacabana. O acesso também ocorreu quando o ex-presidente Jair Bolsonaro adquiriu imóveis no Condomínio Vivendas da Barra. Uma dessas transações foi considerada suspeita.

As omissões e a loja de chocolates

A investigação apontou que Flávio não declarou à Receita Federal um investimento em ações. Ele afirmou à Justiça ter aplicado noventa mil reais através de uma corretora, mas omitiu os valores do fisco. Em ação por prejuízos, citou quitar uma dívida com dinheiro vivo.

Já a loja de chocolates, da qual se tornou sócio, entrou no radar por discrepâncias. O shopping onde ficava a loja registrou um faturamento de 4,9 milhões entre 2015 e 2018. Contudo, a conta da empresa recebeu 6,5 milhões no mesmo período.

Para os investigadores, a diferença de 1,6 milhão poderia ser lavagem de dinheiro do esquema. A proporção de pagamentos em espécie era anormalmente alta. Enquanto as vendas no cartão subiam na Páscoa, os depósitos em dinheiro se mantinham estáveis.

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