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Campos Neto, ex-presidente do BC, e Tarcísio de Freitas viram alvos da CPMI do INSS

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga fraudes no INSS deu um novo passo. Agora, o foco se amplia para um terreno mais delicado: a possível relação entre o esquema bilionário e importantes nomes da política e das instituições financeiras do país. A investigação, que começou apurando desvios em descontos associativos e empréstimos consignados, mira agora figuras de alto escalão.

Requerimentos protocolados recentemente colocam sob os holofotes o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e quatro governadores em exercício. São eles: Tarcísio de Freitas, de São Paulo; Ibaneis Rocha, do Distrito Federal; Cláudio Castro, do Rio de Janeiro; e Romeu Zema, de Minas Gerais. A movimentação sinaliza que a comissão quer entender se houve falhas de supervisão ou ligações pessoais que permitiram o prejuízo a milhares de aposentados.

O objetivo central é conectar os pontos entre as fraudes já descobertas e a atuação de autoridades que poderiam, por ação ou omissão, ter envolvimento com o caso. As decisões que virão nas próximas semanas sobre esses pedidos devem definir o ritmo e a profundidade desta nova fase da apuração. O clima de tensão política tende a aumentar consideravelmente.

O pedido sobre o ex-presidente do BC

No caso de Roberto Campos Neto, um requerimento solicita que o Coaf forneça relatórios de inteligência financeira. Também pede a quebra de seu sigilo bancário e fiscal. O período de interesse vai desde janeiro de 2019 até fevereiro de 2026, cobrindo sua gestão à frente do Banco Central.

A justificativa do pedido menciona que, durante sua gestão, teriam sido emitidos diversos alertas técnicos sobre o Banco Master. Esses alertas apontavam riscos e inconsistências nas operações da instituição financeira. Havia, segundo a comissão, discussões internas sobre a sustentabilidade de certas operações do banco.

A CPMI quer apurar se existiu alguma falha de supervisão ou um tratamento diferenciado diante desses alertas. A questão central é saber se indícios foram negligenciados, o que pode ter facilitado o esquema fraudulento. A investigação busca entender o que as autoridades monetárias sabiam e quando tomaram conhecimento dos problemas.

Os governadores no centro das investigações

A ofensiva da comissão também alcança quatro governadores de estados importantes. Para cada um, há pedidos específicos baseados em distintas conexões com o caso Master. As solicitações variam entre convocações para depor e quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico.

No caso de Tarcísio de Freitas, um requerimento pede sua convocação para esclarecer relações com dirigentes ou financiadores do Banco Master. Outro pedido, mais amplo, solicita a quebra de seus sigilos. A investigação cita uma doação de campanha de dois milhões de reais, recebida de um cunhado do dono do banco.

Em relação a Ibaneis Rocha, o requerimento foca em sua possível atuação para aquisição do Banco Master pelo BRB, banco público do DF. A PF já teria identificado seu nome como um dos interessados na transação. O BRB injetou bilhões no Master, parte usada em carteiras de crédito sem lastro real.

As aplicações de fundos de previdência

O governador Cláudio Castro, do Rio, entra na mira por causa dos investimentos do Rioprevidência. O fundo de previdência dos servidores fluminenses aplicou quase um bilhão de reais em papéis do Banco Master. Uma auditoria do Tribunal de Contas do estado já havia identificado irregularidades nesse plano.

O ponto crucial é que créditos vinculados a fundos de investimento não possuem a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Isso significa que, em caso de calote, o prejuízo é direto e total para os cotistas. A comissão quer entender os critérios e a governança por trás dessa aplicação de alto risco.

Já para Romeu Zema, a investigação olha para a atuação da Zema Crédito, empresa do grupo de sua família, no mercado de consignado. O requerimento busca examinar a evolução do patrimônio do governador no período. O objetivo é verificar se há correspondência entre seus rendimentos declarados e os fatos apurados.

O novo escopo da investigação

Com esses movimentos, a CPMI claramente amplia seu escopo. A apuração inicial, focada em fraudes operacionais dentro do INSS, agora avança para o campo político-institucional. O fio condutor é a tentativa de mapear as conexões entre o Banco Master, o mercado de consignado e agentes públicos de alto nível.

A pergunta que fica é se houve um ecossistema que permitiu que o esquema crescesse e causasse tamanho prejuízo. As respostas dependem da aprovação dos pedidos de quebra de sigilo e convocação. A decisão sobre esses requerimentos está nas mãos dos membros da comissão parlamentar.

O desfecho dessa etapa definirá o tom das próximas semanas. A tensão institucional deve crescer à medida que a investigação se aproxima de nomes com tanto peso político. O país acompanha para ver até onde a comissão conseguirá ir em busca das responsabilidades.

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