Assim que desligou o telefone com o governador do Paraná, Gilberto Kassab partiu para uma maratona de ligações. O presidente do PSD havia acabado de ouvir a desistência de Ratinho Junior das prévias presidenciais do partido. O cenário, que parecia definido, agora estava completamente aberto. A corrida para encontrar um novo nome precisava ser rápida, e Kassab agiu com a pressão de quem sabe que o tempo é um aliado escasso em ano eleitoral.
Os primeiros contatos foram com líderes de partidos potencialmente aliados. Kassab sondou Ciro Nogueira, do PP, e Antônio Rueda, do União Brasil. O objetivo era entender a viabilidade de uma coligação com a Federação UP para a disputa nacional. As respostas não foram negativas, mas também não vieram com um sim entusiasmado. No atual momento, com cada estado tendo sua própria dinâmica, a federação tende a apoiar sem necessariamente integrar uma chapa.
A conversa com Ciro Nogueira rendeu um passo adiante. Kassab chegou a especular em voz alta uma fórmula: um nome do PSD para presidente e a senadora Tereza Cristina, do PP, como vice. A ideia foi lançada com ou sem a participação formal do União Brasil. Isso mostra que a Federação UP, ainda em processo de formalização, pode ser um elemento secundário nessa equação. O foco principal do PSD era selar seu candidato o quanto antes.
A corrida contra o relógio
Com o caminho mais claro, Kassab ligou para os dois governadores cotados para a vaga: Ronaldo Caiado, de Goiás, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. A mensagem era direta. O partido queria anunciar seu candidato até sábado, mas a data mais provável, dada a urgência, era já na quarta-feira. Ambos concordaram com a premissa e aceitaram o cronograma apertado.
Os dois governadores têm um prazo fatal para deixar seus cargos: a Sexta-feira Santa, dia 3 de abril. Eles precisam de tempo hábil antes disso para organizar suas despedidas. Em meio aos combinados, Caiado recebeu uma recomendação específica. Kassab pediu que ele não liberasse seu publicitário, Paulo Vasconcellos, para trabalhar com Flávio Bolsonaro. Com a desistência de Ratinho, o profissional ficaria à disposição da campanha do PSD.
A última ligação do dia foi um gesto de cortesia política. Kassab informou à senadora Tereza Cristina que a via como o perfil ideal para vice-presidente em uma chapa do partido. O nome dela estava no centro das especulações. Ao final do dia, a chapa mais provável parecia ser a que unia Ronaldo Caiado e Tereza Cristina. Caso essa articulação não vingasse, a alternativa interna seria uma dupla puramente do PSD, com Caiado e Eduardo Leite.
O perfil do favorito
Ronaldo Caiado emergiu como o favorito na disputa interna por uma combinação de trajetória e resultados. Sua carreira política é mais longa e consolidada que a de Eduardo Leite. Ele também apresenta um histórico de gestão robusto em Goiás, onde governa há quase oito anos. Essa experiência pesou na avaliação dos dirigentes do partido.
Sua história na política nacional começou ainda na Assembleia Constituinte, em 1987. Caiado era uma das vozes do setor ruralista, à frente da UDR. Anos depois, em 1989, tentou a presidência pela primeira vez, mas obteve uma votação modesta. Essa experiência, apesar do resultado, o colocou no mapa nacional. Ele aprendeu que uma campanha presidencial exige um alcance e uma estrutura diferentes.
Desde então, construiu uma base sólida em Goiás. Foi deputado federal por vários mandatos e depois senador. Em 2018, elegeu-se governador e foi reeleito com folga em 2022. Esse lastro estadual, somado à sua rede de relações nacionais, o coloca em vantagem. O PSD enxerga nele um nome capaz de unir diferentes setores e projetar competitividade nacional. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no site Clevis Oliveira.
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