Você sempre atualizado

Buscas em Juiz de Fora são encerradas; MG registra 72 mortes

As buscas por desaparecidos em Juiz de Fora, Minas Gerais, foram encerradas pela Polícia Civil. O corpo do menino Pietro, de nove anos, foi o último a ser encontrado. A tragédia causada pelas fortes chuvas já soma setenta e duas vidas perdidas na região.

Destas vítimas, sessenta e cinco eram de Juiz de Fora e sete da cidade vizinha de Ubá. As equipes agora concentram esforços em Ubá, onde uma pessoa ainda segue desaparecida. A situação exige atenção contínua e apoio às famílias atingidas.

O bairro Paineiras, um local com casarões antigos e prédios, foi um dos mais castigados. Muitos moradores ainda não puderam retornar para suas casas. O risco de novos deslizamentos na encosta do Morro do Cristo mantém a área em alerta máximo.

A rotina interrompida pela lama

Guilherme, um engenheiro civil, saiu de casa para buscar a filha na faculdade durante a tempestade. Minutos depois, um vizinho o alertou sobre a tragédia. Ao retornar, encontrou a rua transformada em um rio de lama marrom, que invadiu sua propriedade.

A Defesa Civil determinou a saída imediata de todas as famílias daquela rua. A estabilidade do terreno continua uma grande incógnita. Desde então, ele só volta ao local para tentar limpar o lamaçal e vigiar a casa, que ficou completamente vulnerável.

Há quarenta anos, pequenas pedras haviam deslizado da mesma encosta. Mesmo com a memória daquele episódio, o medo agora é muito maior. A cabeça fica preocupada com a possibilidade de uma nova tragédia, especialmente com a instabilidade do solo.

A fuga improvisada e a dor da perda

Paulo, um motoboy de vinte e cinco anos, saiu para buscar a irmã no trabalho. Ao dobrar a esquina para entrar em seu prédio, viu que tudo havia desabado. Os moradores que estavam dentro precisaram agir com rapidez e criatividade para escapar.

Eles improvisaram uma rota de fuga, pulando de uma varanda para outra entre apartamentos. Paulo e um policial militar guiaram todos para a segurança. Apesar do esforço coletivo, um vizinho que era policial penal não sobreviveu ao desastre.

Desde o ocorrido, os sobreviventes aguardam uma autorização para resgatar documentos e roupas de dentro dos imóveis. Eles estão dependendo da ajuda de outras pessoas, usando roupas doadas e sem ter um lugar fixo para ficar.

O longo caminho pela frente

O acesso aos prédios danificados permanece interditado por risco estrutural. Os moradores aguardam um parecer oficial da Defesa Civil e dos bombeiros. Enquanto isso, enfrentam dificuldades práticas e emocionais profundas.

Muitos relatam problemas para comer e dormir desde a noite da tragédia. A insegurança também cresce com relatos de saques aos apartamentos durante a madrugada. A sensação é de completo abandono em um momento de extrema vulnerabilidade.

O deslizamento no Paineiras atingiu pontos diferentes, mas a dor é a mesma. Em uma rua, famílias perderam suas casas e um homem perdeu a vida. Na outra, equipes buscaram por dias até encontrar o pequeno Pietro. A cidade agora inicia a lenta reconstrução.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.