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BRB cancela assembleia que analisaria proposta de Ibaneis para capitalizar banco

O BRB cancelou de repente a assembleia que decidiria sobre um polêmico empréstimo. O banco público do Distrito Federal não teria mais o que apresentar aos seus acionistas. O plano do governador Ibaneis Rocha simplesmente ruiu antes mesmo da votação.

A proposta envolvia um empréstimo de quase nove milhões de reais com grandes bancos privados. Como garantia, o governo ofereceria nove terrenos públicos do patrimônio do DF. Sem esse acordo, a operação de capitalização do banco ficou sem base para seguir adiante. A assembleia geral extraordinária foi marcada e depois cancelada no mesmo fôlego.

O colapso da negociação não foi um acidente. Encontrou resistência forte em várias frentes. A pressão política e social mostrou seu peso. O governo chegou ao encontro sem ter o principal item da pauta.

A forte mobilização contra a proposta

Partidos políticos e organizações da sociedade civil se moveram rápido. PT, PSOL e PSB no DF articularam ações para barrar a transação. Eles enxergaram riscos altos no uso de terrenos públicos como moeda de troca. A estratégia foi atuar em múltiplas instâncias para frear o processo.

As ações judiciais foram decisivas. O PSB, por exemplo, entrou com uma ação civil pública e conseguiu uma liminar. Essa ordem judicial barrou temporariamente a operação. Paralelamente, petistas e psolistas protocolaram representações no Ministério Público. O cerco se fechou sobre a proposta do governo.

Entre os nove terrenos oferecidos, um chamou atenção especial. A Serrinha do Paranoá é uma área de cerrado dentro de uma APA. Sua função ambiental é crucial, pois ajuda a garantir água potável para o Lago Paranoá. A possibilidade de penhorar uma área com essa importância gerou alarme.

A reviravolta judicial e suas conexões

A liminar que suspendeu o negócio, porém, não durou muito. Foi derrubada por um desembargador do TJDFT. O magistrado Roberval Bellinati não é o presidente do tribunal, mas assumiu esse papel em exercício naquele momento. O titular original do caso se afastou sem explicar os motivos.

A situação ganhou um detalhe que despertou curiosidade. O desembargador Roberval Bellinati tem seis filhos. Um deles, Rôberson José Resende Bellinati, tem histórico de atuação no governo Ibaneis. Ele trabalhou na Secretaria de Economia e foi nomeado para um cargo na defensoria pública do DF.

A conexão familiar, ainda que não signifique irregularidade, adiciona complexidade ao cenário. A decisão que permitiu o negócio seguir veio de um magistrado cujo filho já integrou a estrutura administrativa do próprio governo envolvido. O caso segue sua trajetória, envolto em debates sobre patrimônio público e transparência.

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