Um empresário brasileiro viajou a Angola para um trabalho promissor, mas a viagem se transformou em um pesadelo. Ele acabou preso após denunciar um suposto esquema criminoso. A história revela os riscos de propostas de emprego no exterior que parecem boas demais para ser verdade.
O paulista Hermelindo Henrique, de 36 anos, era dono de uma loja de celulares. Um cliente angolano que frequentava seu estabelecimento fez uma oferta tentadora. O contrato previa uma viagem a Luanda para dar suporte de informática em uma universidade local. A função seria auxiliar alunos e professores com sistemas e programação.
Convencido pela proposta, o empresário aceitou. Toda a viagem foi custeada pelos contratantes, incluindo passaporte, documentação e passagens aéreas. Ao chegar ao condomínio onde ficaria hospedado, Hermelindo enviou fotos animadas para a família. A expectativa por uma nova fase profissional era grande. A realidade, no entanto, seria completamente diferente.
Da expectativa ao desespero
A situação mudou radicalmente nos primeiros dias. Em vez de trabalhar na universidade, ele foi orientado a ficar no apartamento. As tarefas reais eram outras, totalmente distintas do combinado. Hermelindo então contatou a família em pânico, relatando a descoberta de um golpe.
Ele afirmou que o grupo queria invadir sistemas bancários angolanos para desviar grandes somas de dinheiro. O esquema supostamente envolveria pessoas influentes, como policiais e líderes religiosos. O brasileiro se recusou a participar das atividades ilegais. A partir daí, as ameaças começaram.
Em suas mensagens, descreveu estar em cárcere privado, sem permissão para sair. Disse que alguns dias sequer recebia comida. Com medo, conseguiu pedir ajuda discreta à família no Brasil. Eles então acionaram as autoridades dos dois países, iniciando uma corrida contra o tempo.
A reviravolta surpreendente
A polícia angolana foi até o local após a denúncia. Na primeira visita, o próprio Hermelindo atendeu a porta. Os agentes não viram indícios claros de cárcere privado naquele momento e se retiraram. Aparentemente, a presença dos suspeitos não era óbvia. A família seguiu pressionando por novas investigações.
Dias depois, os policiais retornaram ao apartamento. A ação, desta vez, teve um desfecho inesperado e dramático. Hermelindo foi detido e levado para a delegacia. A justiça angolana decretou sua prisão preventiva. A acusação é de que ele integrava a mesma quadrilha que tentou denunciar.
As autoridades locais seguem investigando o caso para apurar o envolvimento do brasileiro e de outros suspeitos. O Itamaraty confirmou que a embaixada em Luanda acompanha a situação. No entanto, o governo brasileiro não pode interferir em investigações de outro país nem repatriar cidadãos presos.
A família agora enfrenta a angústia de acompanhar o processo à distância. O objetivo é garantir assistência jurídica e tentar provar sua versão dos fatos. Enquanto a justiça angolana não concluir as investigações, ele permanecerá detido. O caso serve de alerta sobre a importância de verificar minuciosamente oportunidades no exterior.
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