A ministra das Relações Exteriores da Suécia, Maria Malmer Stenergard, esteve recentemente em Brasília e trouxe um recado importante. Ela acredita que o Brasil pode ser um mediador essencial nas conversas de paz para a guerra na Ucrânia. Segundo ela, países com grande influência global e capacidade de dialogar com todos os lados são fundamentais nesse momento.
A declaração ocorre em um cenário de tentativa de reaproximação entre Brasil e Ucrânia. Após um período de atritos, o governo de Volodimir Zelenski se prepara para nomear uma nova embaixadora em Brasília. A escolhida deve ser Inna Ohnivets, que já serviu em Portugal e é bem vista por ambas as partes. Esse movimento sinaliza um desejo de reatar laços.
Enquanto isso, a Europa intensifica a pressão sobre a Rússia, mirando a chamada frota fantasma que tenta burlar sanções. O objetivo é dificultar a venda de petróleo e gás russos, inclusive para mercados como o brasileiro. Stenergard foi enfática ao defender uma ordem mundial baseada em regras, classificando a invasão como uma violação clara do direito internacional.
A importância estratégica do Brasil
Para a Suécia, o Brasil não é apenas um potencial pacificador. A relação entre os dois países tem um pilar concreto na indústria de defesa. A empresa sueca Saab monta o caça Gripen em uma fábrica em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. O acordo inicial prevê 36 aeronaves para a Força Aérea Brasileira, com mais 20 em negociação.
Essa parceria vai além da compra. A Saab tem uma colaboração sólida com a Embraer, que por sua vez vendeu cargueiros militares C-390 para os suecos. Há planos de criar um centro de inovação no Brasil, aprofundando os laços tecnológicos. O projeto mira também o mercado latino-americano, com a Colômbia já interessada em 17 jatos.
A visita da ministra incluía justamente a Colômbia, para a posse do novo presidente. O contrato dos caças, assinado no governo anterior, pode ser revisto. Stenergard expressou confiança na manutenção da parceria, independentemente do governante. Ela espera que os acordos sejam honrados, mantendo uma relação de longa data.
Os desafios nas relações comerciais
Outro tema sensível nas relações entre Europa e América Latina é o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. Após vinte anos de negociação, o pacto enfrenta novos obstáculos. A UE impôs exigências regulatórias e cotas para produtos como aço, soja e carne, itens cruciais para as exportações brasileiras.
Essas medidas podem acionar um mecanismo de reequilíbrio previsto no acordo. Se uma parte se sentir prejudicada por ações externas ao tratado, pode tomar contramedidas. A ministra sueca reconheceu os percalços, mas defendeu o pacto como um grande sucesso. Ela criticou grandes atores que não seguem as regras comerciais estabelecidas.
O temor, no longo prazo, é que essas disputas se transformem em uma guerra comercial mais ampla. Ninguém deseja esse cenário, que prejudicaria todos os envolvidos. O desafio é equilibrar a defesa de interesses legítimos com a manutenção de um comércio internacional estável e previsível para todos os países.
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