O ex-presidente Jair Bolsonaro passou por mais um procedimento médico nesta segunda-feira, dia 29. O objetivo era tratar a crise de soluços persistentes que o acompanha desde sua internação. O quadro, considerado raro pelos médicos, tem relação com sequelas de cirurgias abdominais anteriores.
A intervenção durou cerca de uma hora e foi descrita pela equipe como tranquila. O ex-presidente permanece com um quadro estável, mas sob observação. Ele deve ficar internado até pelo menos quarta-feira, 1º de janeiro, para avaliação dos resultados e possível novo exame.
Paralelamente aos soluços, outros problemas de saúde demandam atenção. Exames realizados na madrugada de segunda revelaram um caso severo de apneia obstrutiva do sono. Esse distúrbio, onde a respiração para repetidamente durante a noite, é um conhecido agravante da hipertensão.
Um quadro de saúde complexo
Os médicos detalharam que Bolsonaro registrou até 50 episódios de apneia por hora. Esse é um índice considerado muito alto. Para controlar o problema, ele deve começar a usar equipamentos específicos durante o sono. A expectativa é que isso ajude a reduzir as obstruções respiratórias.
A hipertensão arterial é outra frente de batalha. Embora já fosse tratada com medicação, o ex-presidente apresentou picos de pressão no sábado e novamente durante o procedimento desta segunda. Para controlar a crise, a equipe precisou administrar medicamentos diretamente na veia.
A estabilização do quadro, após a intervenção, levou cerca de uma hora. A família acompanha tudo de perto. A esposa do ex-presidente, Michelle Bolsonaro, informou o término do procedimento por volta das 15h. Mais cedo, um de seus filhos havia expressado extrema preocupação com o agravamento do estado do pai.
A sequência de tratamentos
Esta foi a terceira intervenção desde que Bolsonaro foi internado na última quarta-feira, dia 24. A internação inicial tinha como objetivo tratar uma hérnia. No Natal, ele passou pela primeira cirurgia. Com a persistência dos soluços, a estratégia médica evoluiu para tentar controlar esse sintoma específico.
O primeiro procedimento para conter os soluços aconteceu no sábado, dia 27. Nele, os médicos fizeram um bloqueio no nervo frênico direito. Como os espasmos retornaram, a equipe decidiu realizar o mesmo procedimento, agora no lado esquerdo, nesta segunda-feira. A técnica envolve a aplicação de anestésico e corticoide em um nervo do diafragma.
Toda essa sequência de cuidados hospitalares precisou de uma autorização especial. Isso porque Bolsonaro cumpre pena na carceragem da Polícia Federal. A permissão para os procedimentos foi concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. O cenário atual, portanto, combina tratamento médico intensivo e restrições jurídicas.
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