Uma vereadora de Campinas vive dias difíceis. Ela é alvo de uma campanha de intimidação por apresentar um projeto contra o feminicídio. A situação envolve desde constrangimento público até a invasão de seu gabinete.
Os fatos começaram na segunda-feira, na Praça da Catedral. Duas assessoras distribuíam panfletos sobre a campanha. Três homens se aproximaram e começaram a filmá-las sem consentimento. Eles provocaram as mulheres com insultos políticos.
A ideia era forçar uma reação para criar um conflito. As assessoras, porém, não caíram na armadilha. A Polícia Militar foi chamada e os homens se retiraram. O episódio foi apenas o começo de uma semana turbulenta.
No dia seguinte, o grupo foi a uma escola. Lá havia um outdoor da vereadora sobre o mesmo tema. Eles exigiram que o diretor retirasse a placa publicitária. Sob pressão, o material foi removido da frente do colégio.
Ainda na terça-feira, os investigados foram ao gabinete da parlamentar. Eles gravaram vídeos intimidando uma assessora e fizeram ameaças diretas. Para entrar no prédio da Câmara, disseram que visitariam outro vereador.
Conseguiram autorização usando essa desculpa. A vereadora acredita que o grupo é incitado por colegas de parlamento. Esses vereadores seriam contra as políticas de proteção às mulheres.
A escalada da intimidação
Na quarta-feira, a situação se repetiu com mais pessoas. O grupo voltou à Câmara acompanhado de outros militantes. Eles são conhecidos por provocar opositores e publicar os vídeos.
Tentaram entrar no gabinete, mas a vereadora não estava. Um assessor atendeu os homens na recepção e foi imediatamente hostilizado. Eles o filmaram e ameaçaram colocar as imagens nas redes sociais.
Durante a sessão do dia, tentaram acompanhar os trabalhos legislativos. A segurança do local impediu temporariamente a entrada deles. Foi quando a vereadora usou a tribuna para denunciar tudo publicamente.
Ela disse ser vítima de um grupo de homens bolsonaristas, machistas e misóginos. O motivo real dos ataques, segundo ela, é o conteúdo do projeto de lei. A proposta prevê monitoramento eletrônico para agressores de mulheres.
O medo deles seria a tornozeleira eletrônica para esses homens. A acusação é de que querem proteger potenciais feminicidas. A perseguição tem um objetivo claro: calar quem defende essa pauta.
As consequências e a reação
Além do boletim de ocorrência, a vereadora vai pedir uma medida cautelar na Justiça. O pedido deve impedir a aproximação do grupo. Ela se declarou sem medo e disposta a ir até as últimas consequências.
A Câmara Municipal de Campinas emitiu uma nota oficial. O texto condena qualquer tipo de agressão, física ou moral, contra mulheres. A casa se colocou à disposição para auxiliar nas investigações.
No entanto, a administração do prédio esclareceu um ponto. Sem uma ordem judicial, não pode proibir a entrada dos acusados. Apenas uma determinação de um juiz permitiria essa restrição.
Para discutir o problema, a Câmara promoverá um seminário. O evento vai tratar de direitos, garantias e políticas públicas. A ideia é enfrentar a escalada de casos de violência política de gênero.
Um padrão que se repete
Esta não é uma situação isolada em Campinas. Outra vereadora da cidade relata ameaças de morte desde o início do mandato. Para ela, a violência política de gênero é uma rotina dentro da Câmara.
Ela recentemente sofreu um pedido de cassação baseado em notícias falsas. As acusações incluíam até um boato de tráfico de drogas. O conteúdo foi publicado nas redes sociais por um vereador bolsonarista.
A parlamentar acionou a Justiça e conseguiu uma liminar. A ordem judicial obrigou a remoção do conteúdo calunioso. Ela também moveu processos cíveis e criminais contra o autor das publicações.
O pedido para instaurar uma comissão processante contra ela foi rejeitado. A votação barrou a tentativa de cassação do mandato. Os casos seguem um roteiro parecido de intimidação e difamação.
Os métodos incluem gravações não consentidas e ameaças de exposição. A estratégia busca silenciar mulheres que avançam agendas progressistas. É uma tentativa coordenada de deslegitimar suas vozes.
O objetivo final é afastar parlamentares que defendem políticas inclusivas. A proteção às mulheres é apenas uma das pautas visadas. A lógica do assédio busca enfraquecer a democracia dentro das casas legislativas.
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