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Bispo que atenderá Bolsonaro na Papudinha já apoiou Dilma e Messias e articula pela direita

A relação entre religião e política no Brasil sempre foi intensa. Uma figura que caminha por essas duas esferas há anos é o bispo Robson Rodovalho. Líder da igreja Sara Nossa Terra, ele tem uma trajetória que mistura fé, música e articulação nos corredores do poder. Sua história recente ganhou os holofotes com a autorização para visitar Jair Bolsonaro na prisão.

A permissão, concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, permite que Rodovalho ofereça assistência religiosa ao ex-presidente. Os dois são aliados de longa data, uma amizade que começou na Câmara dos Deputados. Na época, Rodovalho criou a Frente Parlamentar da Família, com a participação ativa de Bolsonaro.

Essa proximidade, no entanto, nem sempre significou apoio incondicional a um único lado. Em 2010, o bispo chegou a declarar apoio à candidatura de Dilma Rousseff. Ele acreditava que o país, após anos sob governos de direita, poderia dar uma chance à esquerda. Um compromisso público com valores cristãos teria sido decisivo para seu endosso naquela eleição.

Uma trajetória de transformação pessoal

A vida de Robson Rodovalho antes da fé é marcada por contrastes. Ele mesmo descreve uma juventude turbulenta, sem rumo claro. Experimentou drogas e álcool, e chegou a andar armado. Aos quinze anos, uma mudança radical começou quando ele entrou para uma igreja presbiteriana.

Foi ali que descobriu um novo caminho. A leitura da Bíblia e a oração substituíram os vícios anteriores, oferecendo um sentido diferente para sua vida. Essa experiência pessoal profunda o levou a fundar sua própria comunidade religiosa anos mais tarde. Em 1992, nascia a Sara Nossa Terra, com orientação pentecostal.

A igreja ganhou notoriedade nos anos 2000 ao atrair celebridades para seus cultos. Artistas como Baby do Brasil e Gretchen frequentaram o local, que também foi palco de casamentos famosos. Rodovalho, porém, não se limitou ao púlpito. Expandiu sua atuação para a música e a literatura, publicando dezenas de livros.

Atuação nos bastidores do poder

Longe dos holofotes midiáticos de outros pastores, Rodovalho construiu uma influência política baseada na interlocução discreta. Ele privilegia o diálogo institucional, atuando mais nos bastidores do que em praça pública. Essa estratégia lhe permite circular com menos atrito entre diferentes grupos de poder.

Sua agenda é alinhada a pautas conservadoras, mas sem o tom de confronto permanente. Um exemplo recente foi o elogio público à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. Ele também apoiou a nomeação do ministro André Mendonça, feita por Bolsonaro.

Para o bispo, seu papel principal hoje é trabalhar pela união dos cristãos e pela defesa de seus valores. O apoio religioso a Bolsonaro se encaixa nessa missão. A ideia, segundo ele, é oferecer força emocional e espiritual para enfrentar o momento difícil. Uma mensagem de que todas as batalhas, com o tempo, passam.

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