O Banco Central finalmente enviou ao Tribunal de Contas da União os detalhes que justificam o fim do Banco Master. O prazo para essa explicação havia sido estendido devido ao recesso de fim de ano. Agora, o TCU tem em mãos o documento que pode definir os rumos desse caso complexo e bilionário.
Dentro do tribunal, o ministro relator Jhonatan de Jesus apontou algumas falhas no processo. Ele questiona se outras saídas para o banco foram consideradas de verdade. Havia, por exemplo, uma proposta de compra pelo Grupo Fictor avaliada em três bilhões de reais. O timing da decisão também levantou suspeitas.
A liquidação foi decretada no mesmo dia da prisão do controlador do banco, Daniel Vorcaro. Essa coincidência fez com que alguns questionassem a imparcialidade da medida. O Banco Central, no entanto, defende a decisão com unhas e dentes. Para a autoridade monetária, era a única forma de conter um risco para todo o sistema financeiro.
As justificativas do Banco Central
O BC argumenta que a fraude no Master era de grandes proporções, envolvendo carteiras de crédito que não existiam. O banco cresceu de maneira anormal e perigosa, oferecendo taxas absurdas em CDBs para captar dinheiro. Essa foi a engrenagem de um esquema insustentável que precisou ser interrompido.
O relatório enviado ao TCU detalha essa trajetória. De 2019 para 2024, o patrimônio do Master saltou de 219 milhões para quase cinco bilhões de reais. O lucro líquido foi de 38 milhões para mais de um bilhão no mesmo período. Números assim, fora da realidade, sempre acendem um sinal de alerta.
Para fechar as contas desse modelo arriscado, o banco comprava precatórios superdesvalorizados. A estratégia rendeu bilhões por um tempo, mas era uma bomba-relógio. Especialistas destacam que a promessa de cobertura do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, era usada como um argumento de venda enganoso.
A reação do sistema de controle
A pressão sobre a decisão do Banco Central não vem apenas do TCU. O Supremo Tribunal Federal também entrou no jogo, marcando uma acareação para colocar frente a frente o diretor de Fiscalização do BC, o próprio Daniel Vorcaro e um ex-presidente do BRB. Esse tipo de confronto direto é raro e mostra a temperatura do caso.
Para o mercado financeiro, a possibilidade de um revés na liquidação é uma preocupação real. O Banco Central trata sua resposta ao TCU como um caso decisivo para manter sua autonomia em crises futuras. A participação de seu diretor na acareação do STF foi considerada atípica e até contestada pela própria autoridade.
O desfecho desses embates institucionais vai definir muito mais do que o futuro de um banco. Ele sinaliza como o Brasil lida com crises financeiras de grande porte. A forma como as regras são aplicadas interfere diretamente na confiança de investidores e no bolso de milhões de pessoas.
O impacto prático para os credores
Enquanto a briga judicial segue, quem paga a conta são os credores. São cerca de 1,6 milhão de pessoas e empresas que têm um total de 41 bilhões de reais a receber. Esse será o maior resgate do tipo na história do país, mas a espera será longa.
O interventor responsável pela liquidação ainda não entregou a lista final de credores ao FGC. Por causa desse atraso, a previsão é que os pagamentos só comecem em 2026. É um prazo que exige paciência e gera grande ansiedade para todos os envolvidos.
O caso também ganhou contornos políticos, com investigações sobre contratos do banco com advogados ligados a ministros do STF. Todas essas camadas tornam o processo ainda mais delicado. O mercado e a sociedade acompanham cada capítulo, na expectativa de um final que traga justiça e estabilidade.
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