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BC detalha fraudes no Master e na REAG com cumplicidade do BRB em ofícios ao TCU e MPF

No final de 2023, os técnicos do Banco Central já sentiam o cheiro de problema no Banco Master. A instituição comandada por Daniel Vorcaro começava a mostrar dificuldades para cumprir seus compromissos e encontrar dinheiro novo no mercado. A situação era séria e chamou a atenção dos fiscais.

Durante o primeiro semestre de 2024, o BC manteve os olhos bem abertos no chamado "risco de liquidez" do Master. O banco tinha poucos ativos fáceis de vender e via seu caixa minguar a cada dia. O cenário era de alerta máximo para qualquer autoridade monetária.

No segundo semestre, a coisa ficou ainda mais clara. O Master tentou captar uma quantia enorme, mas só conseguiu uma fração do valor. O rombo era evidente, mas a ação regulatória poderia ter sido mais rápida. Esses detalhes estão em documentos oficiais que agora circulam no Tribunal de Contas e no Ministério Público.

O fio da meada das fraudes

A teia de irregularidades foi se tornando mais nítida para os técnicos. Eles foram desvendando uma rede complexa que envolvia o próprio Master, a distribuidora REAG e o Banco Regional de Brasília. As operações entre essas empresas tinham cheiro de fraude.

Recentemente, ex-presidentes do BC criticaram a lentidão da instituição em agir. Os documentos internos, porém, mostram que o processo tinha seus porquês. Em 2025, o BC ainda cumpria prazos e acordos estabelecidos no ano anterior, sob outra presidência.

Foi só então que ficou incontestável: o Master não parava a hemorragia de recursos, o esquema com a REAG era fraudulento e a promessa de socorro do BRB não tinha lastro real. A situação era um castelo de cartas prestes a desmoronar.

A agonia diária e o fim inevitável

De abril a agosto de 2025, o Master operou no vermelho absolutamente todos os dias. Para fechar o caixa, precisava tomar empréstimos diários gigantescos do próprio Banco Central, através do Redesconto. A dependência era total e insustentável.

A partir de setembro, a necessidade nunca ficou abaixo de uma quantia astronômica. Esses empréstimos nunca foram devolvidos. A liquidação do Master, em dezembro, e depois da REAG, em janeiro, era o desfecho natural de uma agonia financeira.

O Will Bank, parte do mesmo conglomerado, parecia mais sólido a princípio. Acabou liquidado também na semana passada, afetando milhões de correntistas. Os documentos são claros: o Master já não cumpria suas obrigações básicas, como recolher depósitos compulsórios.

A tentativa desesperada e a solidariedade interna

Em abril de 2025, o BC proibiu o Master de vender seu produto principal, um CBD que prometia um retorno irreal. Era o fim da principal fonte de captação do banco. Mesmo com um empréstimo bilionário do FGC, os novos recursos que entraram foram insignificantes.

A promessa de compra e capitalização pelo BRB, um banco público, só aumentou a desconfiancia no mercado. Os títulos usados na operação perderam valor quase que completamente. A manobra não enganou ninguém e só acelerou o processo de colapso.

Os documentos também respondem a vazamentos seletivos da defesa de Vorcaro. Todas as decisões foram unânimes dentro do BC. Fica clara a solidariedade interna ao diretor de Fiscalização, Aílton Aquino, tentado ser associado às fraudes. A viagem de Vorcaro a Dubai foi apenas um comunicado informal antes da prisão e da liquidação final de seu banco.

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