Em 2021, um pacto de defesa discreto entre três nações começou a redesenhar o equilíbrio de poder no Oceano Pacífico. Estados Unidos, Reino Unido e Austrália uniram forças em uma aliança chamada AUKUS. O objetivo central era claro: conter a crescente influência da China naquela vasta região marítima.
Essa parceria estratégica gerou consequências imediatas e de alto custo. Para participar, a Austrália tomou uma decisão radical. Ela cancelou um megacontrato bilionário que já havia assinado com a França para a compra de submarinos convencionais. A mudança de planos abalou as relações diplomáticas com os europeus.
Agora, o projeto avança para uma fase crucial e extremamente cara. O governo australiano anunciou um investimento inicial monumental para construir uma nova infraestrutura. O valor gira em torno de 3,9 bilhões de dólares australianos, algo como 2,4 bilhões de euros. Esse é apenas o primeiro passo de uma jornada orçamentária que promete ser épica.
O núcleo da parceria AUKUS
O coração do acordo AUKUS bate em torno de uma tecnologia sensível: submarinos de propulsão nuclear. Porém, é vital entender um ponto específico. Esses submarinos serão equipados apenas com armamentos convencionais, não nucleares. A propulsão nuclear oferece vantagens táticas enormes, como maior velocidade e autonomia praticamente ilimitada.
O plano concreto prevê que a Austrália adquira submarinos norte-americanos de última geração. A expectativa é que a primeira aquisição ocorra por volta de 2032. Paralelamente, os três países vão desenvolver em conjunto uma série de outras tecnologias militares avançadas. A ideia é compartilhar conhecimento em áreas como cibernética, inteligência artificial e guerra eletrônica.
A longo prazo, a ambição australiana vai além de apenas comprar equipamentos. O país quer dominar a tecnologia para construir seus próprios submarinos no futuro. Para isso, um estaleiro naval completamente novo será erguido perto de Adelaide, no sudeste do país. Essa instalação é considerada um elemento-chave para alcançar a soberania na defesa.
Os números de um investimento histórico
Quando falamos do programa AUKUS, estamos lidando com cifras que desafiam a imaginação. O investimento total apenas no novo estaleiro naval está estimado em 30 bilhões de dólares australianos. Convertendo, isso dá aproximadamente 18 bilhões de euros. É um projeto que vai gerar milhares de empregos e movimentar a indústria de defesa local por décadas.
Contudo, o custo mais impressionante vem depois. O programa completo, incluindo a construção e a manutenção da frota de submarinos, tem uma projeção astronômica. Analistas estimam que a conta pode se aproximar dos 200 bilhões de euros nos próximos trinta anos. É um compromisso financeiro de várias gerações, mostrando a prioridade estratégica que o Pacífico representa.
Por que um gasto tão colossal? A resposta está na geopolítica. Esses submarinos serão o centro da nova capacidade de dissuasão australiana. Eles permitirão patrulhas de longo alcance e presença constante em águas distantes. Na prática, são uma ferramenta para monitorar e equilibrar a expansão naval chinesa, que tem sido muito ativa na região.
As ondas do impacto diplomático
A decisão australiana de mudar de fornecedor criou um terremoto diplomático. A França foi pega de surpresa pelo cancelamento do contrato de submarinos, que valia dezenas de bilhões. Paris reagiu com fúria, chamando a atitude de "facada nas costas". Em um raro movimento, chegou a retirar temporariamente seu embaixador de Camberra.
A crise com os franceses, porém, foi um risco calculado pelos australianos. Eles avaliaram que os benefícios estratégicos da aliança com Washington e Londres superavam os custos diplomáticos com a Europa. O acesso à tecnologia nuclear norte-americana era uma oportunidade considerada única e irrepetível, que justificava a mudança brusca.
Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no site Clevis Oliveira. Atualmente, o foco se voltou totalmente para a implementação prática do AUKUS. O ministro da Defesa da Austrália, Richard Marles, afirmou que o estaleiro de Osborne é a prova de que o país está no caminho certo. A meta é ter, nas próximas décadas, capacidade própria para fabricar e manter sua frota de submarinos de propulsão nuclear, alterando para sempre seu papel na segurança do Indo-Pacífico.
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