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Ato contra PL da Dosimetria tem confusão com bolsonaristas e agressões em SP

Três anos depois da invasão aos prédios dos Três Poderes, a data voltou a ser marcada por protestos em São Paulo. Desta vez, o palco foi o tradicional salão nobre da Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco. Um ato em defesa da democracia reuniu militantes de esquerda e representantes de mais de quarenta entidades.

O evento, no entanto, foi interrompido por um grupo de bolsonaristas. A situação rapidamente saiu do controle dentro do salão. O princípio de tumulto se transformou em confusão generalizada do lado de fora do prédio histórico. Policiais presentes no local apenas observaram a troca de agressões entre os militantes.

O clima tenso teve um protagonista inesperado. O ex-deputado estadual Douglas Garcia começou a abordar participantes do ato de forma provocativa. A situação escalou para um confronto físico ao lado do vereador Rubinho Nunes. Ambos são da União Brasil e alinhados à direita.

O protesto pela democracia

O ato foi convocado pelo PT-SP, pelo Centro Acadêmico XI de Agosto e pelo grupo Prerrogativas. O objetivo principal era celebrar a data como uma vitória das instituições democráticas. Mais de duzentas personalidades assinaram um manifesto em defesa desse legado.

O texto do documento é claro sobre a importância da memória. Ele propõe que o oito de janeiro seja um dia de festa cívica e de alerta constante. A ideia é reforçar a vigilância contra qualquer ameaça ao Estado democrático de Direito.

Os manifestantes foram enfáticos em um ponto específico durante todo o evento. Seus gritos de "sem anistia" ecoavam pelo Largo São Francisco. Eles se posicionam contra qualquer iniciativa que possa perdoar ou reduzir penas dos condenados pelos atos golpistas de 2023.

Os discursos e a política

O ator Paulo Betti, conhecido por suas posições políticas, comandou a cerimônia como mestre de cerimônias. Em seu discurso, ele fez um chamado direto para a mobilização política. Betti alertou sobre a necessidade de eleger parlamentares comprometidos com a democracia.

A plateia também ovacionou a presença do ex-presidente do PT, José Genoíno. Ele defendeu a derrota do que chamou de "classe dominante corrupta". Genoíno vinculou essa luta à rejeição do projeto da dosimetria e a causas internacionais.

Estava presente ainda o deputado federal Ricardo Galvão, ex-diretor do Inpe. Sua trajetória de enfrentamento com o governo anterior lhe garante respeito entre os defensores da democracia. Os discursos mantiveram um tom de alerta sobre os riscos atuais.

O veto e a dosimetria

O presidente Lula vetou integralmente o chamado PL da Dosimetria em uma cerimônia no Planalto. Esse projeto, aprovado pelo Congresso, mudava as regras para cálculo de penas. A alteração poderia beneficiar condenados por crimes comuns e também por crimes eleitorais.

A análise jurídica indica que a mudança teria impacto direto em figuras políticas. O ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso na sede da PF em Brasília, seria um dos potencialmente beneficiados. O veto presidencial barrou essa possibilidade.

O ato na USP surgiu, portanto, como uma reação em apoio a essa decisão do Planalto. Os organizadores enxergam o projeto como uma tentativa de minar a resposta jurídica aos atos de 2023. A defesa do veto é vista como uma defesa da própria democracia.

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