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Argentino desiste do Rio Open e faz críticas

O cenário do tênis brasileiro ficou um pouco mais frio nesta semana. Um dos principais nomes do Rio Open anunciou sua desistência do torneio, e o fez deixando uma série de questionamentos no ar. O argentino Francisco Cerundolo, atual número 19 do mundo e campeão em Buenos Aires no domingo, abandonou sua partida nas oitavas de final.

Ele parou de jogar quando perdia para seu compatriota Thiago Tirante. A justificativa imediata foi uma dor na cintura que limitava seus movimentos. No entanto, as declarações que se seguiram foram além de um simples problema físico. Cerundolo colocou em cheque a organização do calendário do evento.

O tenista afirmou estar exausto pela sequência de jogos e revelou um descontentamento profundo. Ele sugeriu que pedidos seus não foram ouvidos, insinuando que certas prioridades da direção do torneio podem ter falado mais alto. O clima, que deveria ser de celebração do esporte, ficou carregado de questionamentos.

O lado do atleta: cansaço e uma cobrança pública

Francisco Cerundolo foi direto ao ponto na entrevista coletiva. "É complicado, muito desgaste, cansaço físico. Não esperava jogar de novo, faltou gasolina no tanque", desabafou. O jogador destacou que não contava com duas partidas em dias seguidos, quarta e quinta-feira, logo após vencer um torneio ATP no domingo anterior.

Ele foi além e fez uma acusação grave. "Pedi para não me escalarem, mas nem me deram uma chance. Consigo imaginar quem eles priorizam", disse, sem citar nomes. A fala deixa transparecer uma insatisfação com critérios que, em sua visão, não levaram em conta o desgaste físico dos atletas.

Sobre a lesão, ele foi sincero. A dor na cintura direita não o impedia de estar em quadra, mas tornava o jogo praticamente inviável. "Quando você não está 100% fisicamente fica muito difícil, você pode perder para qualquer um", completou. Era, portanto, uma combinação de fatores: o corpo pedindo folga e a sensação de não ser ouvido.

A resposta da organização do torneio

Diante das alegações, a organização do Rio Open se posicionou de forma oficial. Em nota, o torneio negou categoricamente ter recebido qualquer tipo de pedido do tenista argentino para alterar a programação de seus jogos. A informação contradiz diretamente a versão apresentada por Cerundolo.

A nota reforçou que todas as decisões envolvendo a chave e os horários seguem rigorosamente os protocolos estabelecidos pela ATP, a associação que gere o tênis masculino profissional. A entidade afirmou que age com total transparência, baseando-se em regras claras e imparciais para todos.

O comunicado também tentou equilibrar os muitos interesses em jogo. "Nosso compromisso é sempre equilibrar as necessidades dos atletas, do público e da transmissão de TV", disse. É um lembrete de que um grande evento esportivo é um quebra-cabeça complexo, onde a logística nem sempre consegue atender a cada indivíduo.

O que fica depois da polêmica?

Incidentes como este colocam um holofote sobre a intensa rotina dos tenistas de elite. O calendário é apertado, e a transição entre torneios em diferentes países pode ser brutal para o corpo. A queixa de Cerundolo ecoa um sentimento comum entre muitos profissionais, que frequentemente precisam competir com dores ou cansaço acumulado.

A situação também revela um possível canal de comunicação falho entre atletas e organizadores. Se um pedido foi feito e não chegou aos responsáveis, ou se houve uma interpretação diferente, o fato é que o desentendimento se tornou público. Esse tipo de atrito pode manchar a imagem de um torneio que busca se consolidar no circuito.

No fim, o espetáculo seguiu sem um de seus astros. O público perdeu a chance de ver um top 20 em ação, e o torneio precisou lidar com uma narrativa negativa. Fica a lição de que, no esporte de alto nível, cuidar da logística e do diálogo é tão crucial quanto preparar as quadras.

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