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Argentina tem greve geral em dia de votação da reforma trabalhista de Milei

A Argentina vive um dia de paralisação intensa nesta quinta-feira. Trabalhadores de diversos setores cruzaram os braços em uma greve geral nacional contra as mudanças propostas pelo governo. É a quarta vez que o país para desde que Javier Milei assumiu a presidência, em dezembro do ano passado.

O motivo do protesto é a votação, na Câmara dos Deputados, de um grande pacote de reformas. Os sindicatos argumentam que o projeto, já aprovado pelo Senado, prejudica direitos históricos da classe trabalhadora. Eles decidiram usar a greve como forma de pressionar os parlamentares.

O impacto foi sentido pela população desde a madrugada. Os serviços de transporte público, como trens e ônibus, não funcionaram. Até o espaço aéreo foi afetado, com o cancelamento de centenas de voos. A paralisação também atingiu portos importantes, como o de Rosário, essencial para a exportação de grãos.

O que está em jogo na reforma

O projeto de lei em discussão propõe mudanças profundas nas relações de trabalho. Uma das alterações mais impactantes é a extensão da jornada diária, que poderá chegar a doze horas. A reforma também reduz o valor das indenizações por demissão sem justa causa.

Outro ponto polêmico permite que parte do salário seja pago em bens ou serviços, e não apenas em dinheiro. As regras para o direito de greve também ficariam mais restritas. Para os sindicalistas, é um retrocesso que torna o trabalho mais precário.

As centrais sindicais afirmam que a população não votou para perder conquistas. Eles veem a reforma como um ataque que piora a vida de quem já sofre com a crise econômica. O fechamento de milhares de empresas nos últimos anos acendeu um sinal de alerta.

Tensão nas ruas e alerta do governo

Apesar de a principal central sindical, a CGT, ter declarado uma greve sem atos de rua, outros grupos marcharam em direção ao Congresso Nacional. O clima é de tensão, especialmente depois dos conflitos violentos registrados na semana passada, durante a votação no Senado.

O próprio Ministério da Segurança emitiu um comunicado alertando a imprensa sobre os riscos de cobrir os protestos. O texto estabeleceu uma área restrita para jornalistas e advertiu que as forças de ordem agirão em caso de violência. A mensagem foi lida como uma intimidação.

A recomendação para que repórteres não se posicionem entre manifestantes e a polícia gerou desconforto. Para observadores, o anúncio oficial cria um ambiente de apreensão antes mesmo do início dos atos. A memória dos confrontos recentes ainda está fresca.

O contexto da crise econômica

A greve acontece em um momento delicado para a economia argentina. Dados das próprias entidades de trabalhadores apontam para a perda de cerca de 300 mil empregos nos últimos dois anos. O fechamento de mais de vinte mil empresas mostra a gravidade da situação.

Setores produtivos essenciais, como a indústria, dão sinais de forte retração. Essa realidade torna o debate sobre direitos trabalhistas ainda mais sensível. Para muitos, a reforma pode agravar o desemprego e a desigualdade social no país.

O desfecho da votação no Congresso será decisivo. Enquanto isso, as ruas demonstram que uma parcela significativa da sociedade está em desacordo com a direção das mudanças. O dia termina com a Argentina refletindo sobre os rumos do seu mercado de trabalho.

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