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Após ano sem título, Leila encara oposição em luta por 3º mandato no Palmeiras

O ano de 2025 ficou marcado por uma sensação estranha para a torcida do Palmeiras. Pela primeira vez desde que Leila Pereira assumiu a presidência, o clube não levantou nenhum troféu importante. A frustração veio justamente na temporada de maior investimento, algo em torno de 700 milhões de reais. Esse contraste entre o dinheiro aplicado e os resultados em campo fez ressurgir um debate que o sucesso dos anos anteriores havia silenciado.

Grupos de oposição à atual diretoria, antes dispersos, enxergaram uma oportunidade. Eles começam a se articular com mais força, usando a seca de títulos como argumento principal. O alvo imediato é um projeto pessoal de Leila: buscar a mudança no estatuto do clube para concorrer a um terceiro mandato, que a manteria no cargo até 2030. Para muitos opositores, a manobra soa como um "golpe" contra a tradição de alternância de poder.

A presidente, no entanto, rebate as críticas com firmeza. Ela argumenta que tudo está dentro das regras, desde que aprovado pelo Conselho e ratificado pelos associados. Em tom irônico, chegou a citar o Real Madrid como exemplo de um clube onde a presidência não alterna com frequência. A questão é que, diferente do gigante espanhol, o Palmeiras de 2025 não teve o mesmo brilho esportivo para ofuscar as discussões políticas.

O gosto amargo de uma temporada sem glórias

Os tropeços foram duros e em competições cruciais. O ano começou com a perda do Campeonato Paulista para o Corinthians, um rival histórico. A ferida se abriu ainda mais quando o mesmo Corinthians eliminou o Palmeiras nas oitavas de final da Copa do Brasil, torneio que o time alvinegro acabaria vencendo. No Brasileirão, mais uma decepção: o vice-campeonato, com o Flamengo levando a taça.

O ponto mais baixo, porém, veio em novembro, na final da Libertadores. Novamente contra o Flamengo, o Palmeiras perdeu por 1 a 0 em uma partida apática. O time não conseguiu acertar um único chute a gol durante toda a decisão. Essa performance abaixo do esperado em momentos decisivos se tornou o símbolo da temporada frustrante, deixando um "gosto amargo" que a própria presidente admitiu.

As críticas da torcida foram além das quatro linhas. Nas redes sociais, muitos torcedores estranharam o sorriso de Leila durante a entrega da taça de vice-campeã paulista. A imagem, para alguns, contrastava com a derrota para o arquirrival. Essas reações mostram como o clima fora do campo também aqueceu, aumentando a pressão sobre a cúpula do clube.

O desabafo que virou arma política

A pressão acumulada levou Leila Pereira a um longo e franco desabafo em uma reunião do Conselho. Ela não poupou críticas ao elenco, questionando a falta de eficiência nos momentos decisivos. "Como que eu posso querer ganhar a Libertadores se meus jogadores não deram um chute a gol?", questionou, destacando que a responsabilidade maior, em sua visão, é dos atletas.

Ela também citou tropeços inaceitáveis no Allianz Parque, como o empate em casa com o Vitória e com o Fluminense, no final do Brasileirão. Para Leila, esses resultados custaram o título nacional. O discurso, embora direcionado internamente, vazou e rapidamente se tornou combustível para seus opositores. Eles usam as palavras da presidente para questionar a gestão do futebol como um todo.

A situação colocou em evidência o técnico Abel Ferreira, que teve seu contrato renovado até 2027. Apesar da confiança no comando técnico, os resultados imediatos pesam. O último título relevante conquistado pela equipe foi o Paulista de 2024, há mais de um ano. Desde então, mesmo com pesados investimentos em 2024, as taças não vieram.

A batalha pelo estatuto e o futuro do clube

Enquanto tenta administrar a crise esportiva, Leila Pereira move seus peões no tabuleiro político do clube. Seu objetivo de permanecer no poder depende de uma alteração estatutária, e para isso ela busca apoio onde pode. Dois ex-presidentes com grande influência entre os conselheiros, Mustafá Contursi e Arnaldo Tirone, estão sendo acionados para ajudar a viabilizar a mudança.

O caminho não é simples. A alteração precisa ser aprovada pela maioria do Conselho Deliberativo e, depois, ratificada pela maioria dos associados em uma Assembleia Geral. Na última eleição, Leila venceu com facilidade, mas o cenário agora é diferente. A oposição, sentindo o clima de insatisfação, tenta se unir para formar uma frente única e barrar sua ambição.

A disputa define os próximos anos do Palmeiras. De um lado, uma presidente que aposta no projeto de longo prazo, mesmo com um revés pontual. De outro, vozes que defendem uma mudança de rumo, alegando que o ciclo atual se esgotou. O que vai pesar na decisão final dos conselheiros e associados será uma mistura de razão, emoção e, principalmente, a memória recente de um ano que prometia muito, mas não entregou nada.

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