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Anotações do PL sobre palanques de Flávio sugerem troca de vice de Tarcísio e risco em MG

Uma reunião da cúpula do partido Liberal, nesta semana, jogou luz sobre os bastidores da eleição. Com a presença do pré-candidato Flávio Bolsonaro, líderes traçaram planos e avaliaram nomes em estados estratégicos. Anotações feitas à mão durante o encontro revelam alianças, impasses e preferências que ainda não são públicas.

O documento, obtido pela reportagem, funciona como um raio-x dos planos bolsonaristas para outubro. Ele lista possíveis candidatos a governador, senador e vice, com observações francas sobre cada um. O papel mistura informações impressas com comentários manuscritos, feitos por alguém da sala naquele momento.

Na pauta, a definição de chapas e a busca por aliados fortes. A reunião serviu como um brainstorming para mapear o cenário atual. O registro oficial de candidaturas só acontece em agosto, então muita coisa ainda pode mudar. Mas o rascunho mostra os primeiros movimentos de uma máquina em preparação.

Os planos para os estados grandes

Em São Paulo, o foco é o governador Tarcísio de Freitas, que busca a reeleição. A anotação “ligar Tarcísio” está no topo da página, mostrando a prioridade. O nome do atual vice, Felício Ramuth, aparece ligado a um símbolo de cifrão, numa referência à investigação de lavagem de dinheiro que ele enfrenta. Ele nega qualquer irregularidade.

A vaga de vice na chapa de Tarcísio segue em aberto. O documento pergunta: “André do Prado vice?”, referindo-se ao presidente da Assembleia Legislativa. Para o Senado, o deputado Guilherme Derrite é um dos nomes. O segundo senador na chapa bolsonarista teria uma lista com cinco possibilidades, incluindo Renato Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro.

Em Minas Gerais, as anotações revelam ceticismo. Sobre o vice-governador Mateus Simões, pré-candidato, está escrito “me puxa para baixo”. O partido avalia lançar o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, ao governo. Para o Senado, há vários nomes, mas apenas dois receberam um traço de caneta indicando endosso: o senador Carlos Viana e o deputado Domingos Sávio.

Negociações e impasses nos bastidores

No Distrito Federal, há um nó. A ideia inicial era ter a vice-governadora Celina Leão como candidata a governadora. Mas uma anotação alerta: se o governador Ibaneis Rocha for candidato ao Senado, não dá para oficializar com Celina. O impasse acontece porque não haveria espaço para duas candidatas do PL na mesma chapa.

Na Bahia, a estratégia é clara: aliar-se a ACM Neto, que disputa o governo. Ao lado do nome do ex-prefeito, está escrito “conversar primeiro, depois tratamos de palanque completo”. Já no Ceará, o plano é apoiar a candidatura de Ciro Gomes, com o partido integrando sua chapa. São alianças que mostram a busca por força regional.

O documento também mostra situações curiosas. No Mato Grosso do Sul, uma anotação sobre o deputado Marcos Pollon diz: “pediu 15 mi para não ser candidato”. Procurado, Pollon negou veementemente a informação, classificando-a como sem sentido e um “assassinato de reputação”. Ele afirma não ter feito tal pedido ao presidente do partido.

Definições e prioridades regionais

No Paraná, o plano é eleger Deltan Dallagnol e Filipe Barros ao Senado. Uma observação diz que apoiar um terceiro nome, como Cristina Graeml, “não dá, atrapalharia Filipe”. Já no Rio Grande do Sul, a situação aparece como resolvida, com um “ok” ao lado. A chapa teria Zucco para governador e Sanderson e Marcel Van Hattem para o Senado.

Em Santa Catarina, a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro prevaleceu. O senador Esperidião Amin foi preterido, e a chapa ao Senado terá Carlos Bolsonaro e a deputada Caroline de Toni. No rascunho, o nome de Amin aparece simplesmente riscado. A movimentação mostra o peso das definições familiares dentro da estratégia.

Os rascunhos revelam um partido se organizando, estado por estado, com acordos e vetos. As anotações à caneta trazem a franqueza dos bastidores, longe dos discursos oficiais. O caminho até agosto ainda é longo, e muitas dessas linhas podem ser riscadas e reescritas conforme a política real exigir.

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