Você sabe aquela fila interminável no pedágio da Anchieta ou da Imigrantes, especialmente numa sexta-feira de sol? Aquela espera que parece engolir parte do seu fim de semana na praia está com os dias contados. O sistema de cobrança nas duas rodovias vai passar por uma transformação completa, trocando as tradicionais cabines por um modelo eletrônico e sem paradas.
A mudança começa a ser implantada agora, com a instalação dos primeiros pórticos que registram a passagem dos veículos. A ideia é que, a partir de julho, o pagamento já seja feito por esse novo sistema. A grande novidade é que o valor total do pedágio, hoje fixo em R$ 38,70 no sentido litoral, será dividido igualmente na ida e na volta.
Isso significa que você pagará R$ 19,35 ao descer para o litoral e outros R$ 19,35 na subida para São Paulo. A cobrança, portanto, passará a valer nos dois sentidos da viagem. Motociclistas seguem isentos da tarifa, como acontece hoje. A expectativa é que o fluxo nas estradas fique muito mais ágil e seguro.
Como vai funcionar na prática
O sistema se chama Siga Fácil e é o que conhecemos como free flow. Ele funciona com pórticos eletrônicos instalados sobre as pistas, que identificam os veículos em movimento. Não será mais preciso parar, reduzir a velocidade ou buscar troco. Tudo acontece de forma automática, mantendo a fluidez do tráfego.
As atuais praças físicas, que causam os famosos gargalos, serão removidas. Enquanto o novo modelo não entra em operação, os pórticos estão sendo instalados nas entradas dos "garrafões" – aqueles alargamentos onde as filas se formam. Só depois que tudo estiver funcionando perfeitamente é que as cabines serão demolidas.
A implantação será gradual. Primeiro, substituirá as duas praças no sentido litoral, uma na Anchieta e outra na Imigrantes. As outras praças, como as de acesso a bairros de Diadema e São Bernardo, continuam normalmente por enquanto. A adaptação será suave para que todos se acostumem com a novidade.
E a Operação Comboio, com neblina?
Um ponto importante é a Operação Comboio, aquela medida de segurança para trechos de neblina intensa na serra. Atualmente, as praças de pedágio são usadas para conter os carros e formar os grupos que descem guiados pelas viaturas. Com o fim das cabines, como ficaria essa operação?
As estruturas físicas das praças antigas serão mantidas temporariamente justamente para permitir a realização do comboio. No entanto, a concessionária já tem um projeto mais moderno em análise. Ele usa sensores e inteligência artificial para detectar neblina e acionar automaticamente a sinalização, controlando a velocidade dos carros sem a necessidade de uma parada obrigatória.
Esse sistema, inédito no Brasil, dispensaria a função das antigas praças nessa situação. Só após sua aprovação e implantação é que as cabines serão efetivamente demolidas. A segurança continua sendo a prioridade absoluta em todo o processo de modernização.
O futuro das estradas para o litoral
As mudanças não param no pedágio. A pedido do governo, a concessionária também desenvolve o projeto de uma terceira pista na Imigrantes. Seria uma nova ligação entre São Paulo e a Baixada Santista, com 21,5 km de extensão. Desse total, impressionantes 17 km seriam em túneis.
A obra incluiria o maior túnel rodoviário do país, com cerca de 6 km. A nova pista aumentaria a capacidade da serra em 25% no geral. Para o transporte de carga, o ganho seria ainda maior: 145% apenas na faixa de descida de caminhões. Tudo para atender ao gigantesco volume de tráfego que essas estradas suportam.
O sistema Anchieta-Imigrantes é um dos mais movimentados do país, com fluxo diário entre 300 mil e 600 mil veículos. Em feriadões e no verão, esses números disparam. A previsão para este verão, por exemplo, era de 4,6 milhões de veículos. Todas essas melhorias visam tornar essa viagem, essencial para tantos paulistas, mais fluida e segura no longo prazo.
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