Dois potes de açaí por setecentos reais. O preço parece absurdo, e é mesmo. Essa foi a quantia cobrada de duas turistas argentinas no último domingo, na Praia do Arpoador, no Rio de Janeiro. O caso, que terminou com a prisão do vendedor ambulante, revela um golpe que tem se repetido contra visitantes estrangeiros. A situação serve de alerta para todos que circulam por pontos turísticos movimentados.
O combinado inicial era setenta reais pelos dois potes. No entanto, na hora do pagamento por Pix, a história mudou. O vendedor, de 29 anos, pegou o celular das clientes e tentou registrar uma transferência de sete mil reais. O aplicativo bancário bloqueou a operação pelo valor elevado. Sem desistir, o homem então digitou setecentos reais e concluiu a transação. As turistas só perceberam o golpe depois que o pagamento foi realizado.
Assustadas com a cobrança abusiva, as argentinas procuraram ajuda dos guardas municipais que patrulhavam a área. O ambulante tentou fugir do local, mas foi rapidamente interceptado pela equipe. Durante a abordagem, os agentes encontraram com ele uma pistola de eletrochoque. O caso foi registrado como estelionato na delegacia especializada no atendimento ao turista.
Um golpe que se repete
Infelizmente, essa não é uma ocorrência isolada. A Guarda Municipal do Rio já registrou episódios semelhantes recentemente. A estratégia dos golpistas se aproveita da agitação de locais cheios e, muitas vezes, da barreira linguística com turistas. O momento do pagamento, com a distração natural da conversa ou do ambiente, é o escolhido para a ação.
Em fevereiro deste ano, outro ambulante foi detido por aplicar um golpe parecido. O alvo foram duas turistas da Dinamarca, durante uma partida no Maracanã. Elas compraram duas latas de cerveja e, na hora de pagar, levaram um susto: a conta apresentada foi de dois mil e quatrocentos reais. A rápida ação dos guardas no estádio impediu que o valor fosse efetivamente pago naquela ocasião.
Os dois casos mostram uma tática similar. O golpista pega o celular da vítima para "ajudar" no pagamento por Pix. Com a confiança ou a distração do cliente, ele altera o valor combinado para um número muito maior. A agilidade nos dedos e a desatenção momentânea fazem a diferença para o crime se concretizar.
Como se proteger na hora do pagamento
A principal dica é nunca entregar seu celular desbloqueado para um desconhecido. Se for usar Pix, digite você mesmo o valor e confira atentamente o número na tela de confirmação. Outra boa prática é combinar o preço exato antes de consumir o produto. Peça para o vendedor dizer o valor em voz alta ou mostre os números no teclado do seu próprio aparelho.
Fique atento ao ambiente ao seu redor. Locais muito cheios e barulhentos são propícios para esse tipo de ação. Se estiver em grupo, peça para um amigo acompanhar a transação. A presença de mais uma pessoa observando inibe a tentativa do golpista. Guardas municipais e policiais estão espalhados por pontos turísticos para auxiliar em situações como essa.
Se perceber qualquer irregularidade, cancele a transação imediatamente no aplicativo do banco. Em seguida, acione a autoridade mais próxima. No Rio, a Delegacia de Apoio ao Turista é especializada nesses crimes. Registrar a ocorrência é fundamental para que as autoridades possam mapear e coibir essas práticas. A prisão em flagrante do vendedor de açaí mostra que a resposta pode ser rápida.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.