Você sempre atualizado

Alvo de operação, presidente do Rioprevidência deixou o Brasil em meio às investigações do Caso Master

O presidente do fundo de previdência dos servidores do Rio de Janeiro deixou o Brasil no meio de uma investigação da Polícia Federal. O caso envolve aplicações de alto risco feitas com o dinheiro das aposentadorias. As movimentações chamam a atenção pelo volume e pela forma como foram realizadas.

Deivis Marcon Antunes embarcou para os Estados Unidos no dia 15 de janeiro. A viagem ocorreu dias antes da operação policial batizada de Barco de Papel. Os agentes cumpriram mandados de busca na última sexta-feira, mas não encontraram o presidente em sua casa.

A residência, localizada em Botafogo, estava vazia e trancada. A equipe precisou pular o portão para entrar no imóvel. Como os mandados eram apenas de busca e apreensão, Deivis não é oficialmente considerado foragido da justiça. Seu paradeiro atual permanece desconhecido.

A investigação sobre as aplicações de risco

A Polícia Federal busca apurar operações financeiras consideradas irregulares. O foco são nove movimentações realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024. Elas envolveram quase um bilhão de reais do fundo Rioprevidência.

O dinheiro foi aplicado em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Esse tipo de investimento funciona como um empréstimo direto à instituição financeira. O problema está no risco elevado, incompatível com a finalidade de um fundo de pensão.

A autarquia é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de 235 mil servidores. Colocar esse patrimônio em risco preocupa autoridades e beneficiários. O patrimônio dos trabalhadores precisa de gestão cautelosa e transparente.

O significado de um "barco de papel"

A PF escolheu o nome "Barco de Papel" para a operação com uma intenção clara. No mundo financeiro, a expressão é uma metáfora poderosa. Ela descreve investimentos frágeis e com alto risco de crédito.

Esses ativos geralmente não possuem garantias reais ou a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Em caso de calote do banco emissor, o dinheiro simplesmente pode sumir. É como confiar uma grande quantia a um barco feito de papel em alto mar.

O Rioprevidência aplicou, no total, impressionantes 2,6 bilhões de reais em fundos do grupo do Banco Master. Ações do Tribunal de Contas do Estado já haviam sinalizado graves irregularidades na gestão meses antes.

Falhas no controle e nas aprovações

Um ex-membro do comitê de investimentos do fundo deu um depoimento revelador. Robson Luiz Barbosa detalhou como os aportes milionários foram feitos sem aprovação formal. O processo parece ter falhado em etapas básicas de controle.

O comitê aprovou um investimento inicial de cerca de 120 milhões de reais no final de 2023. A partir daí, a diretoria de investimentos entendeu que poderia continuar aplicando automaticamente. Essa interpretação gerou uma sequência de aportes sem nova análise.

Nos meses seguintes, o valor aplicado saltou para quase um bilhão de reais. Tudo sem a apresentação de estudos técnicos ou planilhas detalhadas ao comitê. As decisões eram tomadas de forma basicamente argumentativa, sem documentos robustos.

As consequências e os responsáveis

Enquanto a crise se aprofundava, a diretoria do fundo passou por mudanças. Eucherio Lerner Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal foram exonerados de seus cargos. Eles eram, respectivamente, o ex-diretor e o ex-gerente de investimentos.

Na casa de Eucherio, os policiais federais encontraram e apreenderam uma quantia em dinheiro. Foram 3.760 reais em notas novas, guardadas dentro de uma mochila. O fato integra o conjunto de provas coletadas durante as buscas.

O diretor-presidente Deivis Marcon Antunes, no entanto, permanece no cargo. Ele continua à frente do Rioprevidência mesmo após ter deixado o país. A situação gera incerteza sobre os próximos passos da investigação e a gestão do fundo.

O risco para o dinheiro dos servidores

A modalidade de investimento escolhida traz uma preocupação concreta. As letras financeiras não têm a cobertura do FGC. Essa falta de garantia expõe o patrimônio dos servidores a um perigo real de perda.

Se o banco emissor enfrentar problemas graves de liquidez, o prejuízo pode ser direto. Informações inacreditáveis como estas mostram a importância da vigilância constante sobre os recursos públicos. Tudo sobre o Brasil e o mundo reforça a necessidade de transparência.

O Tribunal de Contas do RJ já havia determinado uma tutela provisória sobre o fundo. A medida impede novas transações com o Banco Master. A ordem visa conter possíveis danos maiores ao patrimônio que garante as aposentadorias.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.