A partir de agora, o SUS oferece um apoio importante para quem sente que os jogos e apostas estão virando um problema. São cem mil atendimentos por mês, feitos de forma remota e sigilosa, com foco em saúde mental. O serviço cresceu rapidamente porque a procura foi grande, mostrando que muita gente precisa de uma conversa acolhedora e profissional para lidar com essa situação.
O canal é uma porta de entrada para escuta e orientação, conduzida por psicólogos e enfermeiros. Eles estão ali para ouvir sem julgamentos e ajudar a pessoa a entender o que está acontecendo. O apoio também se estende aos familiares, que muitas vezes ficam preocupados sem saber como agir.
Essa expansão do atendimento reflete um aumento na conscientização sobre os riscos. Muitas pessoas já perceberam que perderam o controle sobre o hábito de apostar. Só durante a última Copa do Mundo, centenas de milhares buscaram uma ferramenta de autoexclusão para bloquear o próprio CPF nas plataformas.
Como funciona o acesso ao serviço
Para começar, basta baixar o aplicativo Meu SUS Digital no celular. Dentro do app, com login na conta gov.br, você procura a seção “Miniapps”. Lá estará a opção “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta”. O caminho é simples e pensado para ser acessível.
O primeiro passo é um breve autoteste, seguido pelo preenchimento de um formulário sobre sua situação. Depois de aceitar o termo de uso, o sistema te conecta à plataforma da AgSUS, parceira do Ministério da Saúde nesse projeto. Toda a equipe é treinada para oferecer uma escuta qualificada e inicial.
As consultas psicológicas acontecem por videochamada, com duração de cerca de 50 minutos. A recomendação é de uma sessão por semana. O profissional pode sugerir um ciclo inicial de até dez encontros, sempre avaliando a evolução do caso para decidir os próximos passos.
O que acontece depois do primeiro atendimento
Após essa primeira avaliação, o psicólogo e o paciente decidem juntos o melhor caminho. Pode ser a alta, um novo ciclo de teleconsultas ou um encaminhamento para atendimento presencial. O objetivo é sempre oferecer o cuidado mais adequado para cada pessoa, no seu próprio ritmo.
Esse serviço também funciona como uma porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial, os Caps. Existem mais de três mil unidades desses centros espalhadas pelo país. Eles oferecem suporte contínuo e multiprofissional para diversos sofrimentos mentais, incluindo aqueles relacionados ao jogo.
A ideia é não deixar ninguém desamparado após a primeira conversa. O acompanhamento pode continuar de diferentes formas, garantindo que o apoio seja consistente. O vínculo criado com o profissional no teleatendimento pode ser um ponto de partida fundamental para mudanças.
Reconhecendo os sinais de alerta
Como saber se os jogos e apostas deixaram de ser um lazer e se tornaram uma preocupação? Alguns comportamentos podem servir de alerta. Mudanças no sono, no apetite ou no humor constante são sinais comuns. A ansiedade e irritabilidade quando não se está jogando também merecem atenção.
Outro indicador forte é a dificuldade em reduzir ou parar, mesmo quando se deseja isso. Sentimentos de culpa ou vergonha após as apostas, ou a necessidade de esconder o hábito da família e dos amigos, são bandeiras vermelhas importantes. O jogo nunca deve ser um segredo.
Comprometer o orçamento familiar, negligenciar relações pessoais ou profissionais e usar as apostas como única válvula de escape para o estresse são sinais de que a situação pode estar fora de controle. Reconhecer esses padrões é o primeiro e mais corajoso passo para buscar ajuda.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.