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Alerj convoca eleição relâmpago para substituir Bacellar; partido de Paes vai à Justiça

O cenário político do Rio de Janeiro virou um verdadeiro turbilhão nos últimos dias. Em uma jogada surpreendente, o presidente interino da Assembleia Legislativa convocou uma eleição relâmpago para escolher um novo chefe. A sessão foi marcada para a tarde da última quinta-feira, com um prazo curtíssimo para inscrições. A manobra pegou todo mundo de surpresa e gerou revolta imediata na oposição.

Vários partidos entenderam o movimento como uma tentativa de acelerar o processo em benefício de um grupo específico. O clima ficou tão tenso que a principal reação foi ameaçar a Justiça. O objetivo era barrar a votação e seguir as regras tradicionais da casa. O regimento interno, por exemplo, exige um aviso prévio de pelo menos dois dias para esse tipo de eleição.

A cassação do presidente anterior, Rodrigo Bacellar, pelo Tribunal Superior Eleitoral, criou esse vácuo de poder. Sem governador, sem vice e agora sem presidente da Alerj, o estado opera em uma frágil interinidade. A corrida para preencher essa cadeira crucial explica a pressa incomum. Quem comanda a Assembleia neste momento tem influência direta nos rumos do Rio.

O boicote e a judicialização da eleição

A resposta de sete partidos de oposição foi radical: eles decidiram boicotar completamente a votação. PSD, PDT, PT, PSOL, PSB, PCdoB e MDB não participaram da sessão marcada às pressas. A estratégia do grupo era clara. Eles não queriam dar qualquer aparência de legitimidade a um processo que consideravam irregular e atropelado.

Os deputados alegaram várias falhas formais no rito convocado. Além do desrespeito ao prazo de 48 horas, nenhuma sessão plenária havia sido realizada desde a cassação. A lei exige que a eleição aconteça em até cinco sessões após a vacância do cargo. Outro ponto crítico era a necessidade de retotalização dos votos pela Justiça Eleitoral. Esse processo designa o substituto de Bacellar no cargo de deputado.

Sem essa etapa, não haveria um substituto legalmente empossado para votar ou ser votado. O PSD confirmou que entraria com uma ação na Justiça para suspender a eleição. Outras legendas, como PSOL e PSB, também estudaram medidas judiciais semelhantes. A judicialização do pleito parecia inevitável.

O pano de fundo e a disputa pelo governo

Por trás dessa confusão toda, existe uma grande disputa pelo Palácio Guanabara. A manobra para eleger um novo presidente da Alerj em tempo recorde tem um objetivo maior. O plano é colocar no comando da casa um aliado do senador Flávio Bolsonaro. O nome preferido do grupo é o deputado estadual Douglas Ruas, do PL.

A ideia original era ainda mais ousada. A base aliada aprovou uma lei para alterar as regras da eleição indireta para governador. A mudança reduziria prazos e tornaria o voto aberto, facilitando a pressão sobre os deputados. O objetivo era eleger Ruas como governador ainda nesta eleição indireta. Dessa forma, ele disputaria a reeleição em outubro com a vantagem de ser o titular.

No entanto, o Supremo Tribunal Federal suspendeu essa lei após um pedido do PSD. O julgamento no plenário virtual do STF segue em análise. Com esse caminho bloqueado, controlar a presidência da Assembleia se tornou o plano B fundamental. Quem comanda a Alerj terá papel central na eleição indireta e na articulação política geral.

As condenações e o cenário de interinidade

A origem dessa crise está nas condenações do Tribunal Superior Eleitoral. Rodrigo Bacellar foi cassado por abuso de poder econômico e político no escândalo dos cargos secretos. A pena inclui a perda do mandato e oito anos de inelegibilidade. Os votos que ele recebeu em 2022 serão anulados, e um substituto será convocado.

O ex-governador Cláudio Castro, condenado no mesmo processo, renunciou ao mandato para escapar da cassação. Essa decisão criou o cenário atual de vazio no topo do Executivo e do Legislativo estaduais. Atualmente, quem exerce a governança do Rio de Janeiro é o presidente do Tribunal de Justiça, de forma interina.

Enquanto isso, a Assembleia Legislativa tenta se reorganizar em meio a uma forte disputa interna. A pressa na eleição do novo presidente reflete a corrida contra o relógio para estabilizar o comando. Tudo acontece às vésperas de uma eleição indireta crucial e com a campanha eleitoral de outubro se aproximando. O Rio vive um período de incerteza e manobras políticas intensas.

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