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Advogado ligado a Lula critica PF ao defender Lulinha: ‘Eles atiram a flecha e pintam o alvo’

O advogado que defende o filho do presidente Lula em uma investigação da Polícia Federal fez críticas duras aos métodos usados no caso. Ele acredita que a polícia age com excesso de criatividade e que informações sigilosas estão vazando de forma criminosa. Apesar disso, diz confiar no atual comando da instituição.

Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, é quem fala em nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O filho do presidente é investigado por supostas ligações com um esquema de fraudes no INSS. O advogado nega qualquer irregularidade de forma veemente.

Carvalho já foi cotado para comandar o Ministério da Justiça, pasta que supervisiona a PF. Em entrevista, ele traçou um paralelo entre os governos Lula e Bolsonaro. Disse que, hoje, não há tentativa de interferência política, mas que alguns agentes não agem de forma republicana.

Críticas à investigação e vazamentos

Para o advogado, a polícia está tentando criar indícios de crimes que simplesmente não existem. Ele usa uma expressão forte: chama o trabalho de "delírio persecutório". A estratégia, segundo ele, seria "atirar a flecha e pintar o alvo" depois, para nunca errar.

O ponto mais sensível é a acusação de que Lulinha receberia uma mesada de R$ 300 mil de um lobista investigado. Carvalho é categórico. Afirma que não houve um único repasse, direto ou indireto. Diz que a quebra de sigilo bancária do seu cliente comprovaria essa ausência de transferências.

Os vazamentos de dados da investigação para a imprensa também são alvo de crítica. Curiosamente, o defensor vê um lado positivo nisso. Ele afirma que a exposição criminosa das informações bancárias foi, no fim, "reveladora e tranquilizadora", pois não mostrou as transações suspeitas.

A viagem a Portugal e a mudança para a Espanha

A investigação apura uma viagem de Lulinha a Portugal em 2024, a convite da empresária Roberta Luchsinger. O destino foi uma fazenda de canabidiol do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A PF suspeita que o passeio tinha outros motivos.

A defesa tem uma explicação simples para o episódio. Carvalho diz que Lulinha foi visitar o projeto porque tem um familiar com epilepsia que usa a substância. O advogado reforça que seu cliente não sabia das atividades ilícitas de Careca na época.

Outro ponto é a mudança de Lulinha para a Espanha no ano passado. A polícia avalia se foi uma tentativa de evasão do país. A defesa rebate, afirmando que os planos de morar em Madri começaram em 2023, antes mesmo da abertura das investigações atuais.

Contexto financeiro e disputas institucionais

Houve grande repercussão sobre movimentações de R$ 19,5 milhões nas contas de Lulinha. O advogado contesta esse número. Explica que o sistema do Coaf duplica valores em transferências entre contas do mesmo titular, somando entradas e saídas.

Segundo a defesa, o valor real gira em torno de R$ 5 milhões em quatro anos. A origem seria parte da herança de sua mãe, Marisa Letícia, e empréstimos feitos ao presidente Lula quando ele estava preso. São recursos familiares, sem ligação com o esquema do INSS.

Carvalho enxerga uma disputa dentro da própria Polícia Federal, reflexo da polarização na sociedade. Ele elogia a independência dada por Lula à PF, mas pede que a instituição use essa autonomia com responsabilidade. Acredita que o diretor-geral tomará providências contra os excessos.

O contraste político e o desfecho possível

O advogado não perde a chance de marcar diferenças políticas. Cita uma frase do presidente Lula, que disse publicamente que seu filho deveria ser investigado se houvesse indícios. Para Carvalho, isso mostra a postura de um estadista.

Ele contrasta com o que chama de atitude de "miliciano" do governo anterior, citando suspeitas de interferência para blindar a família Bolsonaro. A fala refere-se ao caso das "rachadinhas" envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.

No fim, Carvalho acredita que a exposição do caso pode ter um efeito paradoxal. O que a oposição via como uma "bala de prata" contra Lula pode se transformar em uma "bala de festim". A defesa espera que a investigação, ao seguir seus trâmites, limpe o nome de seu cliente.

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