Aquele cafezinho do meio da tarde sempre levanta uma dúvida: será que é melhor colocar açúcar ou adoçante? Essa questão aparece constantemente, especialmente quando vemos alguém famoso anunciando que abandonou o açúcar e agora só usa stévia. A verdade é que não existe uma resposta única para todo mundo. Tudo depende do seu corpo, da sua saúde e da quantidade que você consome.
A ideia de simplesmente trocar um pelo outro pode não ser a solução mágica. Nossa relação com o doce é complexa e vai além de escolher entre o branquinho ou o pózinho diet. É sobre entender como cada opção age no organismo e qual se encaixa melhor no seu dia a dia. O equilíbrio, como sempre, é a chave.
O primeiro passo é observar nossos hábitos. Muitas vezes, consumimos doces de forma automática, sem perceber. Reduzir gradualmente a quantidade, seja de açúcar ou adoçante, já é um grande avanço. O paladar se adapta, e logo você sentirá menos necessidade daquele sabor extremamente adocicado.
O papel do açúcar no organismo
O açúcar é, basicamente, um carboidrato de absorção rápida. Ele fornece energia imediata para o corpo. O problema nunca foi a substância em si, mas o exagero com que a consumimos. Estatísticas mostram que o brasileiro ingere quase o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde.
Esse consumo excessivo está ligado a vários problemas de saúde. Inflamações, resistência à insulina e um maior risco de desenvolver diabetes são algumas consequências. Além disso, o coração e os dentes também sofrem com o abuso do ingrediente.
A solução não é necessariamente eliminar, mas reeducar. Se você costuma usar duas colheres de açúcar no café, experimente usar apenas uma. O corpo vai se acostumando com menos doce aos poucos. O objetivo é apreciar o sabor original dos alimentos, sem precisar mascará-los.
Quando o adoçante é uma alternativa
Os adoçantes são substâncias que oferecem sabor doce com poucas ou nenhuma caloria. Eles podem ser artificiais, como a sucralose, ou naturais, como a stévia e o xilitol. Para pessoas com diabetes, eles são ferramentas importantes no controle da glicemia.
No entanto, para quem não tem essa condição, a história é diferente. O uso diário e em grande quantidade pode atrapalhar a reeducação do paladar. Estudos indicam que o consumo frequente também pode afetar a microbiota intestinal, nossa flora de bactérias benéficas.
Por isso, mesmo as versões naturais devem ser usadas com moderação. Elas podem ser uma ajuda em um processo de transição, mas não devem ser a base da sua alimentação. O foco continua sendo reduzir o sabor doce geral da dieta.
Atenção aos polióis e ao intestino
Um grupo comum de adoçantes naturais são os polióis, como eritritol e xilitol. Eles têm baixo índice glicêmico, mas um detalhe importante: o intestino nem sempre os digere bem. Eles podem chegar quase intactos à parte final do sistema digestivo.
Lá, são fermentados pelas bactérias, o que pode gerar desconforto. Gases, inchaço abdominal e até diarreia são reações comuns, principalmente em pessoas com sensibilidade. Quem segue dietas low FODMAP precisa ter atenção redobrada a esses ingredientes.
A dica é observar como seu corpo reage. Se você nota um aumento no desconforto abdominal após consumir produtos com esses adoçantes, talvez seja o caso de reduzir ou evitar. Escutar os sinais do próprio organismo é fundamental.
E as crianças, podem usar adoçante?
Para crianças que não têm diabetes, o uso de adoçantes não é recomendado. Sociedades médicas especializadas são claras: não há segurança suficiente para o consumo prolongado na infância. O paladar dos pequenos ainda está em formação.
Introduzir o sabor doce intenso dos adoçantes pode condicionar a preferência por esse gosto. Isso pode reduzir a aceitação de frutas, legumes e outros alimentos naturalmente menos doces. A microbiota intestinal das crianças, que ainda está se desenvolvendo, também pode ser afetada.
O ideal é oferecer uma alimentação com sabores variados, priorizando alimentos in natura. Quanto menos o cérebro infantil associar prazer ao sabor super doce, mais saudável será sua relação com a comida no futuro.
Encontrando o seu equilíbrio
A meta para quem não tem restrições médicas é clara: diminuir o dulçor geral da alimentação. Isso vale tanto para o açúcar quanto para o adoçante. Uma estratégia inteligente é usar frutas in natura, como uma banana amassada, para adoçar um bolo.
Outra dica é reduzir gradualmente a quantidade que você já usa. Se no suco você coloca uma colher de adoçante, experimente colocar meia. O paladar se ajusta em algumas semanas. A ideia é treinar o corpo para necessitar de menos estímulos doces.
Vale lembrar que os diferentes tipos de açúcar, como mascavo e demerara, possuem perfis nutricionais muito similares. A diferença em vitaminas e minerais é mínima. A melhor escolha, portanto, é sempre aquela que você utilizar em menor quantidade.