O mercado financeiro vive dias de altos e baixos, e até mesmo uma marca icônica como a Havaianas sente o efeito dessa dança. Nesta terça-feira, as ações da Alpargatas, dona da marca, subiram 3,5%, recuperando parte do terreno perdido no dia anterior. Na segunda-feira, os papéis haviam fechado em queda de 2,4%, pressionados por uma onda de críticas nas redes sociais.
A queda repentina foi motivada por uma polêmica envolvendo a mais nova campanha publicitária da empresa. A peça, estrelada pela atriz Fernanda Torres, gerou reações de políticos e influenciadores, que convocaram um boicote à marca. Esse movimento de protesto, ainda que simbólico, causou um momento de nervosismo entre alguns investidores.
Apesar do susto, analistas enxergam o episódio como algo pontual, um ruído passageiro que não abala a saúde real do negócio. O mercado opera com menos liquidez neste período, o que naturalmente amplifica qualquer oscilação. O foco dos investidores, ao que tudo indica, segue voltado para os números concretos e para a transformação pela qual a empresa tem passado.
A impressionante recuperação nos resultados
Os números recentes contam uma história bem diferente da turbulência momentânea das redes. Desde que Liel Miranda assumiu a presidência da companhia, no ano passado, uma reestruturação profunda foi colocada em prática. A estratégia priorizou a geração de caixa, o controle de gastos e a redução da dívida, medidas que começam a dar frutos.
No terceiro trimestre de 2025, o lucro líquido da Alpargatas explodiu, crescendo 199% na comparação com o mesmo período de 2024. O Ebitda, que mede o resultado operacional, também teve um salto histórico de 86,8%. Esses são os melhores indicadores já registrados pela empresa, sinalizando que a mudança de rumo está funcionando.
A empresa simplificou seu portfólio pela metade e fortaleceu sua presença em canais como supermercados. Com isso, conquistou uma fatia de 77% do mercado nacional de chinelos. A operação no Brasil agora está ajustada e gerando caixa consistente, o que permite à empresa mirar objetivos mais ambiciosos.
O novo horizonte: a expansão internacional
Com a casa em ordem no Brasil, o próximo grande desafio da Alpargatas está no exterior. O foco estratégico agora se volta para conquistar mercados internacionais de forma lucrativa, um quebra-cabeça que a empresa tenta resolver há alguns anos. Em 2024, a operação global, especialmente nos Estados Unidos, ainda dava prejuízo.
Para virar esse jogo, a empresa fechou um importante acordo de distribuição com a Eastman. A parceria, anunciada em junho, deve ser o caminho para a lucratividade no mercado norte-americano a partir de 2026. Bancos como UBS BB e XP projetam avanços nas margens e uma recuperação gradual dos volumes na Europa.
A valorização das ações em 2025, que já supera 113%, marca uma inflexão clara após anos difíceis. Entre 2022 e 2024, o papel acumulou perdas expressivas. A retomada de vigor que se vê agora não era observada desde 2019. Para o mercado, a polêmica publicitária parece um mero detalhe diante desse plano de recuperação de longo prazo.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.