O ano de 2025 terminou com um saldo positivo para o comércio brasileiro, mas com um ritmo mais tranquilo. As vendas no varejo cresceram 1,6% no ano passado, segundo dados divulgados pelo IBGE. Esse movimento confirma uma certa estabilização, já que os ganhos foram parecidos com os registrados nos três anos anteriores.
Quando olhamos apenas para dezembro, porém, a história é um pouco diferente. Na comparação direta com novembro, houve uma leve retração de 0,4% nas vendas. Esse é um movimento comum no fim do ano, após a correria das compras de Natal. Apesar disso, a média dos últimos três meses ainda mostra um pequeno crescimento de 0,3%.
O que esses números nos dizem? A economia segue se movendo, mas com cautela. O consumidor parece estar administrando seu orçamento com mais cuidado, priorizando alguns setores específicos. Esse cenário misto, com altas e baixas pontuais, desenha um retrato realista do dia a dia do comércio.
O crescimento de 2025 veio de setores específicos
O avanço anual de 1,6% não foi uniforme. Ele foi puxado principalmente por três áreas que se saíram muito bem. A primeira foi a de artigos farmacêuticos e perfumaria, que cresceu 4,5%. A segunda foi a de móveis e eletrodomésticos, com alta igualmente robusta de 4,5%.
O grande destaque positivo, porém, ficou com os equipamentos de informática e comunicação. Esse setor subiu 4,1% no ano, impulsionado por uma boa notícia para o bolso do brasileiro. A desvalorização do dólar frente ao real barateou produtos importados como celulares e laptops, estimulando as vendas.
Por outro lado, alguns segmentos importantes enfrentaram dificuldades e puxaram a média para baixo. As lojas de veículos e motos, por exemplo, caíram 2,9% após um 2024 muito forte. O atacado de alimentos também recuou 2,3%, influenciado por uma menor distribuição de grãos e legumes.
Dezembro trouxe mais recuos do que avanços
A passagem de novembro para dezembro mostrou um cenário predominantemente negativo. Dos oito setores principais do varejo, seis registraram queda nas vendas. A maior baixa foi nas farmácias e perfumarias, que recuaram 5,1% após um ano positivo.
Setores como livrarias, artigos para casa e supermercados também tiveram variação negativa. Isso reflete, em parte, o fim do ciclo de compras de fim de ano. As pessoas tendem a antecipar suas compras para novembro, especialmente em anos de orçamento apertado.
Apenas dois grupos escaparam da tendência de baixa em dezembro. As lojas de informática e comunicação continuaram em alta, com um salto expressivo de 6%. Os postos de combustível também tiveram um pequeno crescimento de 0,3%, possivelmente ligado ao deslocamento das férias.
Comparação anual e desempenho regional
Quando comparamos dezembro de 2025 com o mesmo mês de 2024, a imagem melhora. O volume de vendas foi 2,3% maior, marcando nove meses seguidos de resultados positivos nessa base de comparação. O setor de informática, novamente, liderou com um crescimento impressionante de 31,1%.
No plano regional, a maioria dos estados sentiu o arrefecimento de dezembro. Vinte e duas unidades da federação tiveram queda nas vendas do varejo na passagem de novembro para o último mês do ano. Estados como Rondônia, Roraima e Espírito Santo registraram as retrações mais significativas.
Apenas cinco estados pressionaram positivamente a média nacional nesse período. Rio de Janeiro, Bahia e Distrito Federal se destacaram com pequenas altas. Esse mapa desigual mostra como a realidade do comércio pode variar bastante dependendo da localidade e da economia de cada região.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.