Três em cada dez cidades brasileiras enfrentam uma situação delicada nas escolas públicas. Elas declararam não contar com profissionais de apoio para alunos com deficiência, autismo ou altas habilidades. Esses acompanhantes são peças fundamentais no dia a dia, ajudando os estudantes com mobilidade, alimentação e integração social.
Sem esse suporte, a inclusão real fica comprometida. Imagine uma criança que precisa de auxílio para se locomover ou se comunicar. Sem um profissional dedicado, ela pode ficar excluída das atividades. A informação vem do Censo Escolar mais recente, um retrato oficial da educação.
O dado é ainda mais impactante quando olhamos os números absolutos. Nesses municípios, há duzentos e vinte e seis mil estudantes da educação especial. Metade deles está concentrada apenas no estado de São Paulo. Isso mostra que o problema é nacional, mas com focos de grande pressão sobre o sistema.
A realidade por trás dos números
Os dados oficiais, no entanto, podem esconder uma situação ainda mais complexa. Em alguns casos, há uma discrepância curiosa entre o que o município declara e a realidade local. São José dos Campos, por exemplo, informou ter apenas um profissional, mas na prática conta com mais de mil e quinhentos.
Isso levanta questões sobre a confiabilidade das estatísticas. O processo é declaratório, ou seja, depende do que cada rede de ensino informa. Erros de preenchimento ou interpretação podem distorcer a visão geral. Precisamos de informações precisas para entender a verdadeira dimensão do desafio.
Sem dados reais, fica difícil direcionar políticas públicas e recursos. Prefeitos e secretários de educação não conseguem planejar capacitações. Governos estaduais e federal também perdem a referência para oferecer o apoio necessário aos locais mais vulneráveis.
O peso da falta de apoio
A legislação brasileira é clara: estudantes que necessitam têm direito a um acompanhante especializado. Na prática, porém, a conta não fecha. No país todo, existem cerca de cento e noventa mil profissionais para atender quase dois milhões de alunos. A média é de quase dez estudantes por acompanhante.
Essa sobrecarga tem consequências diretas na sala de aula. Um profissional dividido entre várias crianças com necessidades diferentes não consegue oferecer atenção integral. O professor regente também fica sobrecarregado, e o aprendizado de todos pode ser afetado. O apoio especializado é um recurso de acessibilidade, não um luxo.
É importante notar que nem todo aluno precisa de um acompanhante exclusivo. A proporção ideal varia conforme as necessidades específicas de cada um. O problema é quando a falta de pessoal é generalizada. Nove alunos por profissional, em muitos casos, é um déficit que impede a inclusão de verdade.
O desafio da qualificação
Ter um profissional na sala é um primeiro passo, mas sua formação é outro capítulo crítico. Segundo o próprio Censo, apenas quinze por cento dos acompanhantes têm curso específico em educação especial. A nova política nacional elevou a exigência mínima para cento e oitenta horas de capacitação.
Essa mudança na regra, embora bem-intencionada, reduz ainda mais o número de pessoas qualificadas para o cargo. O ministério da Educação oferece vagas em cursos de especialização, mas a adesão das redes ainda é um obstáculo. Em 2025, muitas das vagas disponíveis não foram preenchidas.
O prazo para que estados e municípios se adaptem às novas regras ainda está em discussão. Enquanto isso, a formação adequada segue como um dos maiores gargalos. Um profissional não qualificado não consegue oferecer o suporte técnico que a inclusão demanda. A qualidade do apoio é tão crucial quanto sua existência.
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