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Toffoli admite sociedade em resort, mas nega pagamentos de Vorcaro

A situação envolvendo o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira. Seu gabinete emitiu uma nota para esclarecer pontos sobre uma empresa familiar e sua ligação com um resort no Paraná. O caso chama atenção porque Toffoli é o relator do inquérito que investiga o banco Master, justamente envolvido nesse negócio imobiliário.

As suspeitas surgiram após a Polícia Federal entregar um relatório ao presidente do STF, Edson Fachin. O documento mencionava Toffoli em conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master. Diante disso, o ministro foi notificado a se explicar. A nota divulgada hoje é a resposta formal a esses questionamentos.

O cerne da questão é uma possível relação entre os negócios da família do ministro e os investigados no caso. Toffoli viajou em um jatinho de um advogado de um dos investigados e tomou decisões consideradas atípicas no processo. Agora, a venda da participação no resort para fundos ligados ao banqueiro virou o centro das atenções.

A explicação oficial sobre a empresa familiar

O gabinete do ministro confirmou que ele é sócio de uma empresa familiar chamada Maridt. A sociedade inclui irmãos e outros parentes de Toffoli. A legislação permite que magistrados sejam sócios e recebam dividendos de empresas. No entanto, eles não podem exercer funções de gestão ou administração direta.

A Maridt tinha uma participação no resort Tayaya, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. Essa participação foi vendida em duas etapas distintas. A primeira parte foi negociada com um fundo chamado Arllen, em setembro de 2021. A segunda parte foi vendida para a empresa PHD Holding, em fevereiro de 2025.

Todas essas transações, segundo a nota, foram devidamente declaradas à Receita Federal. O gabinete enfatiza que o inquérito do Master chegou à relatoria de Toffoli apenas em novembro do ano passado. Naquela data, a empresa familiar já não possuía mais qualquer parte no empreendimento turístico.

O relatório da PF e as conversas vazadas

O ponto de partida para este novo desdobramento foi um relatório sigiloso da Polícia Federal. Nele, os investigadores alertavam para menções ao ministro em diálogos entre Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel, seu cunhado. Zettel atuava como uma espécie de contador informal do banqueiro.

As conversas interceptadas faziam referência ao resort Tayaya. O conteúdo do relatório foi vazado para a imprensa, aumentando a pressão sobre a relatoria do caso. Baseado nesse documento, o presidente Fachin notificou Toffoli para que apresentasse seus esclarecimentos à Corte.

Em uma nota anterior, o gabinete do ministro já havia reagido ao teor do relatório. A defesa afirmou que um pedido de suspeição feito pela PF se baseava em “ilações”, ou seja, suposições. Argumentou também que a corporação policial não teria legitimidade para pedir o afastamento de um magistrado do Supremo.

A sequência de eventos e os questionamentos

A trajetória recente do inquérito levantou dúvidas sobre a atuação do relator. Em dezembro, veio à tona que Toffoli havia feito uma viagem em um jatinho particular. O advogado de um dos investigados também estava a bordo da aeronave. O episódio gerou críticas imediatas sobre a aparência de proximidade.

Depois, uma decisão do ministro causou estranheza. Ele determinou que as provas de uma fase da operação fossem enviadas direto ao STF, sem passar pela perícia da PF. Toffoli recuou após repercussão, mas insistiu na escolha dos peritos que analisariam o material. São atitudes que fogem do padrão.

Agora, a revelação do negócio com o resort adiciona outra camada de complexidade. A venda da participação da empresa familiar para fundos ligados a Vorcaro, o principal investigado, coloca o ministro sob um novo foco de escrutínio. O caso segue em análise, com a expectativa de novos desdobramentos.

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