Você sempre atualizado

Dólar cai a R$ 5,18 e atinge menor valor desde maio de 2024; Bolsa fecha em novo recorde

O dólar fechou esta segunda-feira em queda, marcando seu menor valor em quase dois anos. Aqui no Brasil, a moeda americana foi negociada a R$ 5,187, uma baixa de 0,61% no dia. O último patamar similar foi visto em maio de 2024, há quase vinte e um meses. Esse movimento não foi isolado, refletindo um humor mais otimista nos mercados globais.

Enquanto isso, a Bolsa de Valores brasileira teve um desempenho forte, subindo 1,79%. O Ibovespa fechou acima dos 186 mil pontos, um marco inédito. Grandes empresas, como Vale e os principais bancos, puxaram esse avanço. O dia ilustrou bem como notícias internacionais e locais podem mover nossos mercados.

Esse cenário misto tem explicações concretas. De um lado, há um alerta importante vindo da China sobre títulos americanos. Do outro, declarações do presidente do Banco Central aqui no Brasil acalmaram os investidores. Vamos entender como esses fatores se conectam e o que significa para o seu bolso.

O alerta da China e o dólar mais fraco

Autoridades financeiras chinesas orientaram seus grandes bancos a reduzir a exposição em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. A preocupação é com a concentração de riscos e a volatilidade desses ativos. Na prática, eles devem limitar novas compras e reduzir posições já existentes. A China é um dos maiores compradores globais desses títulos.

Quando a China compra menos títulos americanos, a demanda por dólares diminui no mundo. Isso naturalmente pressiona a cotação da moeda para baixo. O especialista Higor Rabelo, da Valor Investimentos, confirma que esse movimento foi um dos motores da queda. O índice que mede o dólar frente a outras moedas fortes também recuou.

Esse contexto internacional cria um vento favorável para moedas de mercados emergentes, como o real. Com menos atratividade nos ativos tradicionais dos Estados Unidos, os investidores buscam oportunidades em outros lugares. O Brasil, com suas taxas de juros ainda elevadas, acaba se beneficiando desse fluxo de capital.

A vitória no Japão e o apetite por risco

As eleições no Japão também influenciaram o clima positivo desta segunda-feira. O partido no poder conquistou uma vitória expressiva, garantindo ampla maioria no parlamento. O resultado superou todas as expectativas do mercado. A perspectiva é de que o governo adote medidas de expansão fiscal e cortes de impostos.

Essa expectativa de estímulo à economia japonesa aqueceu as bolsas asiáticas. O principal índice do Japão, o Nikkei, subiu quase 4% e bateu recordes. Um cenário de mais gastos públicos e menos restrições fiscais aumenta o apetite global por investimentos considerados de risco. Isso inclui as ações de mercados como o brasileiro.

O economista Bruno Perri, da Forum Investimentos, explica que esse fenômeno impulsionou a Bolsa aqui. É o chamado movimento de rotação global, onde recursos saem de praças tradicionais e buscam mercados emergentes. Dados mostram que o volume investido por estrangeiros na B3 só em janeiro já superou o total de todo o ano passado.

O discurso do BC e os juros no Brasil

No cenário doméstico, as palavras do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foram recebidas com tranquilidade. Ele reforçou que a política monetária seguirá um curso gradual. Os cortes na taxa Selic vão continuar, mas sempre observando os indicadores econômicos. A mensagem foi de cuidado, sem precipitação.

A fala está alinhada com a ata do Copom divulgada na semana passada. O documento sinalizou um possível novo corte em março, mas manteve o tom de cautela. A meta é consolidar a inflação no centro da meta de 3%, sem permitir descontroles. O ritmo do afrouxamento, portanto, seguirá dependendo dos dados que forem surgindo.

Analistas como Alexandre Viotto, da EQI Investimentos, interpretam o discurso como um sinal de controle. O ciclo de baixa dos juros deve ser suave, sem cortes muito agressivos. Essa previsibilidade beneficia o "carry trade", operação onde investidores captam recursos em moedas com juros baixos para aplicar em ativos brasileiros, que ainda oferecem boa rentabilidade.

Os balanços das empresas e o mercado acionário

A temporada de resultados trimestrais também seguiu movimentando o mercado. Após Santander, Itaú e Bradesco, foi a vez do BTG Pactual divulgar seus números. O banco registrou um lucro de R$ 4,6 bilhões no último trimestre de 2025, um crescimento expressivo de 40% em relação ao ano anterior. O resultado veio ligeiramente acima das expectativas do mercado.

O desempenho sólido do setor financeiro é um dos pilares que sustenta a alta do Ibovespa. Bancos com resultados robustos atraem investidores e dão confiança para toda a Bolsa. Esses balanços reforçam a percepção de resiliência da economia brasileira, mesmo em um cenário externo cheio de incertezas.

A agenda corporativa segue movimentada, com outras empresas previstas para divulgar seus números. O foco nos resultados concretos das empresas oferece um contraponto importante às movimentações especulativas. No fim das contas, a saúde financeira das companhias é um fator fundamental para decisões de investimento de longo prazo.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.