Vorcaro vendeu parte de empresa dona de jatinho a fundo da Reag em meio a ofensiva da PF sobre o Master
Pouco antes de sua prisão, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro realizou uma movimentação significativa em um de seus patrimônios. Ele vendeu mais da metade de uma empresa importante, a Viking Participações. O comprador foi um fundo de investimentos administrado pela Reag, grupo que já está no radar das autoridades. A operação foi formalizada em setembro de 2025, momento em que seu banco, o Master, já enfrentava fortes turbulências.
Nessa mesma ocasião, Vorcaro deixou oficialmente a administração da companhia. Quem assumiu o posto foi Adriano Garzon Corrêa, um ex-despachante de Nova Lima. A mudança foi registrada na Junta Comercial de Minas Gerais. A Viking é conhecida por ser dona de três jatos particulares, incluindo um luxuoso Falcon 7X. Investigadores avaliam essa aeronave em cerca de duzentos milhões de reais.
Curiosamente, esse mesmo jato seria usado por Vorcaro para uma viagem internacional. O destino seria alcançado no exato dia de sua prisão, em novembro daquele ano. Ele ficou detido por doze dias até conseguir liberdade. A defesa do ex-banqueiro afirma que a venda aconteceu em 2024, e que os atos de 2025 foram apenas formalizações burocráticas da operação.
A empresa e seus vínculos
A Viking Participações é uma holding patrimonial antiga na trajetória de Vorcaro, fundada em 2006. Ela está registrada em um endereço comercial em Belo Horizonte. Esse local abriga outras empresas ligadas ao ex-banqueiro, criando uma rede de negócios. A holding também é ré em um processo da CVM que investiga irregularidades em um fundo imobiliário.
Além dos aviões, a empresa foi usada em transações imobiliárias que ganharam notoriedade. Um exemplo é um apartamento de alto valor, avaliado em 4,4 milhões de reais. O imóvel foi comprado da Viking por uma empresa ligada ao pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e depois doado a uma jovem.
O pastor Zettel, por sua vez, também se envolveu em problemas recentes com a justiça. Ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal e chegou a ser preso ao tentar viajar para Dubai. Sua liberação ocorreu poucas horas depois da detenção, mas o caso ilustra o extenso círculo de investigações.
O comprador e as investigações
O lado comprador da operação também carrega suas complexidades. A parte adquirida pela Viking foi comprada pelo Stern Fundo de Investimento. Esse fundo é administrado pela Reag, uma empresa que já é investigada pela Polícia Federal. Ela é suspeita de participar de um esquema para inflar artificialmente ativos do banco Master.
A investigação que mira a Reag se chama Operação Carbono Oculto. Ela apura a atuação de uma organização criminosa no mercado financeiro formal. A empresa preferiu não se manifestar quando questionada sobre a compra da participação na holding de Vorcaro.
Não há informações públicas sobre o valor exato pago pelos 55% da Viking. A transação ocorreu em um contexto de crescente pressão sobre as finanças de Vorcaro. Semanas antes, o Banco Central havia barrado a venda do Master para outro banco. E a PF já tinha um inquérito em andamento para apurar irregularidades na instituição financeira.
O contexto da operação
A venda da participação ocorreu em um momento muito específico. O banco Master já enfrentava sérias questões regulatórias naquele período. A negociação com o BRB para sua venda havia sido rejeitada pelo BC. E a abertura de um inquérito policial sobre o banco tornou-se pública pouco tempo depois.
A defesa de Daniel Vorcaro mantém que ele segue como acionista e controlador da Viking. Em nota, afirmou que toda a operação seguiu critérios comerciais regulares. Ressaltou também que o ex-banqueiro continua colaborando com as autoridades em todos os processos.
A situação revela como movimentações patrimoniais podem se tornar peças em um tabuleiro maior. Especialmente quando envolvem figuras públicas sob o escrutínio da justiça e de órgãos de controle. A trilha de empresas e transações forma um quebra-cabeça complexo para investigadores.
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