Um capítulo financeiro complicado se soma à já turbulenta trajetória recente de Daniel Alves. As atenções agora se voltam para uma disputa judicial que levou ao bloqueio de uma quantia milionária das contas do ex-jogador. A ordem, no valor de mais de R$ 7,7 milhões, foi expedida pela Justiça e afeta diretamente seu patrimônio.
O caso tem origem em um antigo acordo entre o atleta e o São Paulo Futebol Clube. Quando deixou o clube em 2021, Daniel Alves firmou um acerto que previa o pagamento de R$ 22,8 milhões, divididos em sessenta parcelas. O trâmite parecia simples, mas uma série de decisões posteriores criou um imbróglio financeiro de grandes proporções.
Tudo mudou quando o jogador decidiu antecipar parte desse dinheiro. Em setembro de 2022, ele fez um negócio com um fundo de investimentos especializado. A operação é comum no mercado: ele vendeu o direito de receber as parcelas futuras do São Paulo em troca de um valor imediato e menor.
O fundo GAD pagou cerca de R$ 11,5 milhões a Daniel Alves na época. Em contrapartida, passaria a receber diretamente do São Paulo as cinquenta e duas parcelas restantes do acordo. A ideia era que os repasses ocorressem de forma automática, sem interrupções. No entanto, os planos saíram completamente do rumo original.
O ponto de ruptura veio com a prisão preventiva do atleta na Espanha, no início de 2023. Com Daniel Alves detido, sua então procuradora, a ex-mulher Dinorah, assumiu suas questões financeiras. Ela informou ao fundo que não tinha conhecimento do contrato de cessão e interrompeu os repasses dos valores recebidos do clube.
A situação se complicou ainda mais porque parte dos pagamentos do São Paulo começou a ser direcionada para outra frente. Valores foram destinados a um processo de pensão alimentícia em nome do filho do jogador. Esse desvio reduziu o montante que efetivamente chegava ao fundo de investimentos, descumprindo o acordo firmado.
Diante da falta de pagamento, a dívida foi calculada e a GAD partiu para a ação judicial. O fundo moveu uma execução de crédito para cobrar o valor que deixou de receber. A conta, com juros e correções, chegou aos R$ 7,7 milhões que a Justiça determinou bloquear agora nas contas do ex-atleta.
A estratégia do fundo não se limitou ao bloqueio de valores em conta. Os advogados também pediram à Justiça a apreensão de bens do devedor. O objetivo é localizar e restringir a venda de imóveis e veículos em nome de Daniel Alves no Brasil. É uma medida para garantir o pagamento caso o dinheiro em bancos seja insuficiente.
Enquanto esse processo corre no Brasil, a vida de Daniel Alves segue outros caminhos na Europa. Recentemente, ele acertou a compra de um clube de futebol português, o Sporting Clube de São João de Ver. A equipe disputa a terceira divisão de Portugal e representa um novo projeto para o ex-lateral.
No aspecto penal, ele recuperou a liberdade após um longo processo na Justiça espanhola. O Tribunal de Justiça da Catalunha absolveu o atleta da acusação de abuso sexual de forma unânime. Os juízes consideraram que as evidências não eram suficientes para manter a condenação anterior.
Ele havia cumprido catorze meses de prisão preventiva antes de ser solto, mediante o pagamento de uma fiança alta. Durante todo o caso, Daniel Alves sempre manteve a sua inocência perante as acusações. Agora, ele precisa enfrentar as consequências financeiras de decisões passadas, que voltaram a impactar sua vida.
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