Mais uma madrugada de chuva e o cenário se repete em Juazeiro do Norte. Por volta das seis e meia da manhã desta quarta-feira, a Avenida Leão Sampaio voltou a ficar completamente alagada. O nível da água subiu tanto que os carros simplesmente não conseguiam passar. Um deles, menos afortunado, acabou atolado no meio da via, ilustrando o transtorno que se tornou rotina para muitos moradores.
O problema vai muito além de um simples poço de água depois de uma chuva forte. Essa situação crítica interrompe a ligação vital entre Juazeiro do Norte e a cidade vizinha de Barbalha. Quando a via fica intransitável, o caos se instala. Trabalhadores não chegam aos seus empregos, estudantes faltam às aulas e o comércio local sente o baque com a queda no movimento. É um reflexo direto na economia e no dia a dia de toda a região.
O deputado estadual Fernando Santana foi até o local para registrar a situação e cobrar uma solução. Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, ele não poupou críticas à atual gestão municipal. Segundo o parlamentar, essa mesma “estréia” desagradável se repete há mais de cinco anos. A promessa de resolver o problema da drenagem, feita em campanhas eleitorais, ainda não saiu do papel.
### A Cobrança por uma Solução que Já Tem Recurso
Fernando Santana foi enfático ao responsabilizar a prefeitura, comandada pelo prefeito Gledson Bezerra. Ele afirma que a obra de drenagem não só foi prometida, mas também teria os recursos financeiros garantidos. A alegação é de que o dinheiro necessário já estaria disponível nos cofres municipais, uma herança deixada pela administração anterior. A falta de ação, portanto, seria uma questão de prioridade e execução, e não de orçamento.
O parlamentar mencionou especificamente o ex-prefeito Arnon Bezerra, afirmando que ele teria deixado os recursos destinados para esta obra. A sensação transmitida é de que a solução está parada em alguma gaveta, enquanto a população continua sofrendo as consequências. “O ex-prefeito Arnon deixou o dinheiro para fazer isso aqui, e até hoje nada”, declarou Santana no vídeo, mostrando frustração com a demora.
Essa alegação levanta um ponto crucial: a continuidade das obras públicas entre diferentes gestões. É comum que projetos importantes, especialmente de infraestrutura, levem mais tempo que um único mandato. Por isso, o compromisso com o planejamento de longo prazo é essencial. A população fica no meio desse jogo, testemunhando promessas eleitorais que, depois das eleições, parecem perder urgência. O resultado são anos convivendo com o mesmo transtorno evitável.
### O Custo Real de um Problema Crônico
O alagamento não é um evento isolado ou um mero inconveniente. Trata-se de um problema de infraestrutura crônico que cobra um preço alto da comunidade. Os prejuízos são materiais, com veículos danificados e possíveis avarias ao comércio local. São também sociais, com o isolamento de bairros e o risco à segurança pública, já que ambulâncias e viaturas policiais podem ter seu acesso bloqueado em uma emergência.
Para o cidadão comum, a situação gera uma sensação de abandono. A frase do deputado, “deixando a população à mercê da própria sorte”, captura exatamente esse sentimento. Quando soluções básicas de urbanismo não são entregues, a confiança nas instituições se erosiona. As pessoas passam a acreditar que precisam se virar sozinhas, pois não podem contar com o poder público para resolver problemas previsíveis e recorrentes.
Enquanto a obra não sai do papel, a cada temporada de chuvas a história se repete. Moradores já sabem de cor os pontos críticos da cidade e torcem para que as pancadas de chuva não coincidam com seu horário de deslocamento. A esperança é que o registro público do problema e a pressão constante levem, finalmente, a uma ação concreta. Afinal, cinco anos é tempo mais que suficiente para planejar e executar uma mudança que impacta diretamente a qualidade de vida de milhares de pessoas.
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