Você sempre atualizado

Ceará ocupa o 3º lugar de MEIs no Nordeste e o 10º no Brasil

O Ceará tem uma força impressionante quando o assunto é empreendedorismo individual. São mais de 462 mil microempreendedores individuais, os famosos MEIs, contribuindo para a economia do estado. Esse número representa quase 3% do total nacional, um dado que coloca o estado em uma posição de destaque no Nordeste.

Aqui na região, só ficamos atrás da Bahia e de Pernambuco nesse ranking. Quando olhamos para todo o Brasil, o Ceará ocupa a décima posição, mostrando a vitalidade dos pequenos negócios cearenses. É um movimento que transforma a realidade local, gerando renda e oportunidades.

Essas informações fazem parte de um estudo recente que traça o perfil do MEI no estado. A análise oferece um retrato detalhado de quem são essas pessoas que movimentam o comércio e os serviços com muita criatividade e resiliência. Vamos entender melhor como essa força está distribuída.

O perfil dos empreendedores cearenses

Quando observamos o conjunto de MEIs no Ceará, encontramos uma participação relativamente equilibrada entre homens e mulheres. Os homens correspondem a cerca de 55% dos registros, enquanto as mulheres representam aproximadamente 45%. Esse equilíbrio numérico, no entanto, esconde diferenças marcantes na escolha das atividades profissionais.

A grande maioria desses microempreendedores está concentrada no setor de serviços. O comércio e o conserto de veículos lideram, com mais de um terço de todos os registros. Em seguida, aparecem áreas como alojamento e alimentação, que inclui bares, restaurantes e pousadas. Esses setores são o coração da economia informal e de bairro.

Essa predominância do setor de serviços não é por acaso. Ela reflete uma característica da economia local e a agilidade do cearense em identificar oportunidades. Muitas vezes, o negócio nasce de um talento pessoal ou de uma necessidade específica da comunidade ao redor.

A divisão de gênero nas atividades

Apesar do equilíbrio geral, a escolha do ramo de atuação ainda revela uma forte divisão ligada a tradições sociais. Entre os homens, certas atividades são absolutamente majoritárias. A construção civil, por exemplo, é composta por mais de 90% de MEIs homens.

O mesmo padrão se repete em setores como transporte, armazenagem e serviços de água e esgoto. São áreas historicamente associadas ao trabalho masculino, e os dados mostram que essa percepção ainda se reflete nas escolhas profissionais atuais. É um cenário que convida à reflexão sobre como ampliar horizontes.

Do lado feminino, a concentração também é evidente em setores específicos. Os serviços domésticos são realizados quase que exclusivamente por mulheres, com mais de 92% dos registros. A saúde humana e os serviços sociais também têm uma presença feminina muito forte, acima de 80%.

Outras atividades de serviços, uma categoria ampla, também tem maioria de mulheres. Essa distribuição clara sugere que, mesmo empreendendo, muitas profissionais acabam seguindo caminhos tradicionalmente abertos para elas. Romper com esses padrões é um dos desafios para um mercado mais diverso.

A experiência que vem com a idade

A idade é um fator crucial para entender a longevidade de um microempreendimento. No Ceará, a maior parte dos MEIs tem entre 31 e 50 anos. Juntos, esses grupos representam mais da metade de todos os registros. São pessoas que já acumularam alguma experiência de vida e, muitas vezes, profissional.

Os mais jovens, entre 21 e 30 anos, são cerca de 20% do total. Estudos indicam que empreendimentos liderados por pessoas muito jovens têm uma taxa de sobrevivência menor após os primeiros anos. A maturidade e a rede de contatos que vem com a idade parecem ser vantagens importantes.

Esse perfil etário mais elevado pode ser um reflexo dos últimos anos. Com a deterioração do mercado de trabalho formal, muitos profissionais experientes buscaram no empreendedorismo uma forma de se reinventar. Foi uma adaptação necessária para garantir o sustento e seguir em frente.

A formalização como MEI oferece a segurança de uma previdência e a possibilidade de emitir notas fiscais. Para quem já tem uma trajetória, isso traz um alívio e uma estrutura mínima para trabalhar. A decisão de empreender, nesses casos, muitas vezes vem carregada de uma bagagem valiosa de conhecimentos.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.