Jair Bolsonaro completa seis meses preso nesta quarta-feira. A expectativa do seu círculo mais próximo é que ele possa retornar à prisão domiciliar, regime que já cumpriu antes. A decisão, no entanto, depende exclusivamente do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
A situação atual do ex-presidente é acompanhada de perto por aliados e familiares. Eles argumentam que sua idade, setenta anos, e problemas de saúde recentes justificam a transferência para casa. A tensão política com o STF, porém, é apontada como o principal obstáculo para essa mudança.
A defesa de Bolsonaro trabalha em várias frentes para conseguir o benefício. A principal esperança está num laudo médico encomendado pelo próprio ministro Moraes. Esse documento deve avaliar as condições físicas do ex-presidente para permanecer no batalhão da Polícia Militar.
A batalha pela progressão de regime
Outro caminho possível passa pelo Congresso Nacional. Parlamentares bolsonaristas pressionam pela derrubada do veto presidencial ao projeto da Dosimetria. A aprovação da medida poderia reduzir a pena de Bolsonaro e abrir portas para a progressão de regime.
A articulação política também ganhou força com ações de Michelle Bolsonaro e do governador Tarcísio de Freitas. Eles buscaram diálogo com ministros do Supremo para sensibilizá-los sobre o caso. Uma pequena vitória foi a transferência do ex-presidente para uma cela maior no complexo da Papuda.
Essa movimentação, no entanto, gerou desconfiança no entorno de Flávio Bolsonaro. A avaliação de alguns é que os esforços de Tarcísio e Michelle teriam motivações presidenciais. O objetivo seria fortalecer suas próprias trajetórias para uma eventual disputa eleitoral no futuro.
Os reflexos no cenário político
A prisão consolidou internamente a indicação de Flávio Bolsonaro como sucessor político do pai. A escolha contrariou expectativas de setores do centrão e do mercado financeiro. O cálculo familiar é de que um nome do clã garante a preservação da relevância política da família.
A situação carcerária, porém, traz prejuízos concretos à organização eleitoral do grupo. Com visitas limitadas, Bolsonaro não consegue participar plenamente das articulações políticas. Sua conhecida capacidade de mobilização popular também fica totalmente neutralizada durante o período eleitoral.
Alguns analistas veem um possível efeito eleitoral positivo na imagem de vitimização. Esse é um receio mencionado até por adversários da esquerda, que também defendem a prisão domiciliar. O temor pela saúde do ex-presidente é um argumento que atravessa as linhas partidárias.
A incerteza e o cotidiano na prisão
Aliados são realistas sobre as possibilidades de uma guinada política imediata. Eles não esperam um cenário similar ao que libertou Lula em 2019. Medidas como um impeachment de ministros do STF são vistas como remotas e de longo prazo, sem impacto no momento atual.
A saúde de Bolsonaro segue sendo uma grande preocupação. Visitantes relatam que ele sofre com tonturas causadas pela medicação para conter soluços. O problema afeta seu apetite e o deixa fragilizado. O isolamento do contato direto com apoiadores também pesa no seu estado emocional.
Sua rotina no batalhão inclui caminhadas, visitas familiares e atendimento médico diário. Ele também recebe auxílio religioso e faz sessões de fisioterapia. Um detalhe curioso: ele não lê livros, atividade que poderia reduzir sua pena. A rotina é monitorada e relatada regularmente à Justiça.
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